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A Copa do Mundo vai entrando na sua última e decisiva semana. A cada quatro anos, ela se realiza como festa de milhões de pessoas nos países do mundo, colocando por terra qualquer fronteira. Nesta festa planetária, desaparecem os antagonismos entre brancos e negros, capitalistas e comunistas, orientais e ocidentais, “favorecidos ou não pela sorte”. Claro, em seguida, a vida volta ao seu normal, com todos os seus problemas, até agravados.

Na sequência dos jogos, muito por influência dos Meios de Comunicação, alguns atletas se tornam ídolos por suas façanhas, por marcarem ou por impedirem gols decisivos. Alguns, pela infelicidade de errarem um pênalti ou não defenderem uma bola passam a ser os vilões de suas seleções. Alguns atletas que entraram na copa exaltados saíram ou poderão sair humilhados. Outros que não levavam muita confiança se despediram ou se despedirão consagrados.

Assim como no esporte, em outros setores da vida humana temos pessoas que se destacam por sua personalidade, pelo desempenho de sua profissão, pela dedicação a causas sociais e humanitárias.

Em nossa fé católica, veneramos os santos e mártires, como expoentes do seguimento a Cristo, como testemunhas do Evangelho, como modelos de vida a serem imitados e como nossos intercessores junto de Deus.

Neste domingo, em solenidade transferida do dia 29 de junho, contemplamos São Pedro e São Paulo e o ministério do Papa, sucessor de São Pedro, hoje Francisco. A comemoração nos recorda que São Pedro e São Paulo são as raízes santas da Igreja de Roma, com a qual nos sentimos em comunhão.

E aí está um primeiro aspecto a destacar nesta solenidade. Nossa Igreja Católica tem raízes apostólicas. Vem diretamente de Cristo, conduzida por quem Ele encarregou de fazê-lo e seus sucessores legítimos. Nossa Igreja não começou ontem e nem por alguém que se atribuiu por conta própria missão que não recebeu e título indevido. Nesta legítima sucessão apostólica, estão pessoas humanas, a maioria de virtudes heróicas e alguns de grandes fraquezas humanas. Mas nem por isso a Igreja deixou de continuar sua missão. As fraquezas dos sucessores de Pedro são supridas pela força do Espírito que conduz a Igreja e pela oração, pela comunhão, pelo esforço de santificação dos que dela fazem parte. Pedro e seus sucessores têm a promessa de Cristo: as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja. Pedro por sua proximidade a Cristo tornou-se uma rocha de fé e de amor sobre a qual a Igreja é construída.

Se em São Pedro a Igreja tem a rocha da fé como fundamento, em São Paulo ela tem um modelo de impulso missionário e constante renovação.

Ambos, embora com carismas e missões diferentes, são fundamento da Igreja uma, santa, católica e apostólica, “permanentemente aberta à dinâmica missionária e ecumênica, já que é enviada ao mundo para anunciar e testemunhar, atualizar e estender o mistério de comunhão que a constitui”, como lembrou Bento XVI, em uma de suas catequeses na audiência pública das quartas-feiras.

No Dia do Papa, expressamos no compromisso com a missão da Igreja, na comunhão com nosso Papa Francisco, acolhendo com reverência e obediência o que nos propõe, rezando por ele e ajudando-o nos gestos de caridade com os necessitados através da coleta em seu favor, chamada Óbolo de São Pedro. Frequentemente, o Papa pede oração por ele. Consciente de suas limitações humanas e da grandeza do seu ministério como sucessor de são Pedro, ele conta a força da oração dos seus irmãos e irmãs, a quem ele tem a missão de confirmar na fé.

 

Pe. Antonio Valentini Neto