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Com roteiro de Joemir Maria Camargo Rosset, professora aposentada, mãe de sete filhos, o Grupo Geração Arte do Bairro São Vicente de Paulo de Erechim, como faz há 39 anos, encenou a Paixão e Morte de Cristo na manhã de Sexta-feira Santa 30 de março (2018), contemplando a temática da Campanha da Fraternidade, a superação da violência. Em 10 cenas, o grupo representou Judas debatendo-se em dúvidas sobre a traição de seu Mestre Jesus e a prisão do mesmo, o interrogatório diante de Caifás, o Sumo Sacerdote daquele ano; Jesus diante de Pilatos que considera Jesus inocente, mas cede à pressão das autoridades judaicas políticas e religiosas, lava as mãos e o entrega para ser crucificado; o enforcamento de Judas; a primeira queda de Jesus e a ajuda de Simão de Cirene; cenas de violência contemplando o tema da Campanha da Fraternidade deste ano; a segunda queda de Jesus e o conforto de Verônica que lhe enxuga o rosto rompendo a barreira dos soldados; o encontro de Jesus com as mulheres que choram por ele; a terceira queda e finalmente a crucificação.

Para cada cena, o roteiro apresentava pertinentes aproximações com a realidade atual. Mencionando a traição de Judas por trinta moedas, o texto enfatizou que hoje a violência consome vidas com as moedas da impunidade. Para expressar melhor as mortes de crianças, de jovens, de pais e mães de família, pessoas carregaram diversas cruzes. Em relação específica à violência em nosso país, que tira a vida de tantas pessoas, foram lidas diversas manchetes de assassinatos com pessoas estendidas como mortas num dos palcos ao longo do caminho. Neste quadro, o narrador pediu a Cristo que liberte este mundo do veneno do mal da violência, da intolerância e do ódio que polui a consciência das pessoas. Quando Simão de Cirene foi forçado a ajudar a Cristo a carregar a cruz, foi lembrada a atual cultura da indiferença, com falta de solidariedade.  No momento em que Verônica enxuga o rosto de Jesus, o texto dizia: a ternura feminina daquela mulher ameniza a crueldade e acolhe, no coração e no manto, o rosto misericordioso de Deus, declarando que atualmente a violência desfigura o rosto de tantos irmãos e irmãs que gemem e clamam por gestos de compaixão e cuidado. Referindo-se ao choro das mulheres por Jesus, foi lembrado que o pranto delas são as lágrimas que correm na face deste mundo. O comentário do momento em que Maria acolhe o corpo de Jesus descido da cruz ressalta: Maria recebe seu filho e suas lágrimas se misturam ao sangue dele. Ela é a mãe que une suas dores às dores de muitas mães que choram por seus filhos, vítimas da violência. Com o corpo do filho em seus braços, ela diz: choro as dores do meu Senhor. O que mais me faz chorar é que as pessoas por quem tanto sofre, vivem esquecidas dele.

Pe. Paulo Bernardi, Pároco da Paróquia São Pedro à qual pertence o Bairro São Vicente de Paulo, acompanhou toda a encenação com diversas intervenções. No final, ressaltou e agradeceu o esforço do grupo de teatro e motivou a todos para a participação intensa nas celebrações do Tríduo Pascal e a testemunharem sua fé na convivência fraterna e solidária.