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De Faxinalzinho, novo padre para a Diocese de Erexim

Dom José presidiu missa de ordenação presbiteral do diácono Edegar Passaglia na igreja N. Sra. da Salete de Faxinalzinho, Paróquia São Roque de Benjamin Constant do Sul, na manhã escaldante deste sábado da segunda semana de Advento. A missa foi concelebrada por 38 padres da Diocese de Erexim, 2 da de Chapecó e um da Arquidiocese de Passo Fundo. Participaram muitas pessoas da comunidade local e vizinhas, dois diáconos permanentes, seminaristas da Diocese, religiosas, a comissão da Pastoral Vocacional, grupos da Paróquia São Cristóvão e São Pedro de Erechim e da Paróquia Imaculada Conceição de Getúlio Vargas, onde o novo padre exerceu trabalhos pastorais, com a animação da música e do canto do Pe. José Carlos Sala e equipe.

Depois da proclamação do Evangelho, o Reitor do Seminário Maior São José, Pe. Clair Favreto, chamou o Diácono Edegar para se aproximar do Bispo, a quem disse que a Igreja pedia que o ordenasse padre. Como assegurasse que estava devidamente preparado, Dom José declarou-o aceito para a ordenação solicitada, passando para a homilia.

No início de sua reflexão, Dom José lembrou que Dom Girônimo Zanandréa e o Pe. Luiz Warken não estavam presentes por problemas de saúde. O Vigário Geral da Diocese, Pe. Cleocir Bonetti não estava por estar acompanhando o Pe. Luiz no Hospital São Vicente em Passo Fundo, do qual teria alta neste dia. Considerou a ordenação do Diácono Edegar como momento de esperança, fruto da vida de fé de uma comunidade e da ajuda de muitos benfeitores. Ela é possível depois de longo caminho de formação do ordenando, que receberia a nobre missão de santificar o povo no ministério sacerdotal. Lembrou a caminhada exigente do povo de Deus, especialmente do profeta Elias, a quem o Senhor ofereceu pão e água para prosseguir na caminhada. Ele espelha as desilusões familiares, profissionais, políticas e sociais do seu tempo. Deus lhe respondeu com um alimento assegurando-lhe que não o abandonava. Ressaltou que Deus se doa em seu próprio Filho, o Pão da vida, que o sacerdote consagra na Eucaristia para saciar a fome do povo de Deus e a sede do profundo do coração humano. Referiu-se ao lema do novo padre, “Em nome de Cristo, o Pão da vida”. Destacou que o sacerdote é chamado a celebrar o Santo Sacrifício eucarístico, a meditar constantemente sobre o seu significado e a transformar sua vida numa Eucaristia, o que se manifesta no amor ao sacrifício cotidiano, sobretudo no cumprimento dos próprios deveres de estado. O amor à cruz, que é fonte de vida interior, conduz o sacerdote a tornar-se uma oferta agradável ao Pai por meio de Cristo.

Após a homilia, o Bispo introduziu o canto da ladainha de todos os santos, durante a qual o ordenando se prostrou em sinal de sua fragilidade humana e de sua confiança no poder de Deus. Passou aos momentos que caracterizou como significativos em sua homilia: a imposição das mãos dele e dos sacerdotes concelebrantes sobre o ordenando, a Prece de Ordenação, a unção da palma das suas mãos com o óleo do Santo Crisma e a entrega a ele do pão e do vinho para a celebração eucarística.

No final da celebração, Dom José agradeceu ao Pároco pela preparação das comunidades para a ordenação do novo padre; aos formadores dos seminários e a todos os padres da Diocese porque, por seu trabalho, motivam o surgimento de vocações nas famílias. Lembrou que a mãe do novo padre lhe confidenciou que muitas vezes rezou de joelhos pelo mesmo naquela igreja. Se a família sentiu alegria pelo nascimento dos filhos, a Diocese se sentia feliz por ter um deles como padre. Agradeceu às comunidades da Paróquia, aos benfeitores das vocações, às zeladoras das capelinhas e pediu que todos rezem pelos padres, conscientes de que vivem o divino de Deus e a fragilidade humana.

O coordenador da Pastoral Presbiteral, Pe. Dirceu Balestrin, Pároco de Aratiba, saudou o novo padre em nome do presbitério diocesano, desejando que viva no ministério a alegria, a disponibilidade, a humildade e outras virtudes que ele possui. Convidou o Pe. Jean Carlos Demboski, colega por 8 anos, a entregar-lhe algo que os padres lhe ofereciam.

Por fim, falou o próprio Pe. Edegar. Referiu-se ao seu lema, “em nome de Cristo, o Pão da vida". Manifestou confiar em Cristo e contar com os amigos e pessoas próximas para realizar sua missão. Expressou agradecimentos às comunidades onde trabalhou durante sua formação, à Pastoral da Juventude, à equipe vocacional, a Dom Girônimo que o acolheu para o Seminário, a Dom José que o acompanhou ultimamente e acabava de ordená-lo, à família, aos que rezam pelas vocações. Convidou a todos para sua primeira missa neste domingo em Faxinalzinho e na igreja São Cristóvão no próximo dia 21. Concluiu sua manifestação solicitando a todos a rezarem a oração pelas vocações recitada no primeiro domingo de cada mês nas celebrações das comunidades da Diocese.

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Íntegra da homilia de Dom José

Ordenação Presbiteral do Diácono Edegar

Capela Nossa Senhora da Salete - Faxinalzinho

Lema: “Em nome de Cristo, o Pão da Vida” – (Jo 6,35).

15 de dezembro de 2018

Sob a proteção de Deus, o olhar e a ternura de Nossa Senhora da Salete, padroeira desta comunidade, saúdo o Vigário Geral da Diocese, Pe. Cleocir Bonetti; o Coordenador Diocesano de Pastoral, Pe. Maicon Malacarne; o Reitor do Seminário São José, Pe. Clair Favreto; o pároco desta Paróquia dedicada a São Roque, Pe. Mauro Parcianello, em nome do qual saúdo todos os sacerdotes concelebrantes, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas e autoridades civis aqui presentes.

Com alegria, saúdo e agradeço aos pais do Diácono Edegar, senhor Adão Passaglia e senhora Lourdes Cavrucov, por oferecerem um filho para servir o Senhor e a Igreja povo de Deus. Minha saudação se estende às irmãs, ao irmão, aos cunhados, à cunhada, aos sobrinhos do diácono Edegar, aos membros das famílias Passaglia e Cavrucov. Saúdo o povo de Deus desta comunidade Nossa Senhora da Salete e de outras comunidades desta Paróquia, os que vieram das comunidades de Erechim, de Getúlio Vargas e de outros lugares para participarem desta celebração eucarística, na qual o Diácono Edegar Passaglia será ordenado presbítero da nossa Igreja Católica e Apostólica Romana, para servir o Senhor através do seu ministério sacerdotal, na Igreja povo de Deus a caminho da casa do Pai.

Queremos louvar e agradecer a Deus por este momento de alegria e esperança na nossa Igreja Diocesana, por esta comunidade que está oferecendo à Igreja o segundo sacerdote em 7 anos depois de amanhã. É um momento para ser partilhado com o povo de Deus das nossas comunidades, que rezam pelas vocações e contribuem economicamente, através das zeladoras de capelinhas e dos benfeitores, para mantermos os seminários e cuidarmos da formação dos seminaristas, nossos futuros padres.

Queridos irmãos e irmãs, a imposição das mãos do Bispo e dos sacerdotes concelebrantes sobre aquele que será ordenado sacerdote, a Prece de Ordenação, a unção da palma das suas mãos com o óleo do Santo Crisma e a entrega a ele do pão e do vinho marcam os momentos mais significativos do rito da ordenação presbiteral.

Tocados pela emoção e a alegria de termos um novo sacerdote na Igreja em nossa querida Diocese de Erexim, acolhido na família presbiteral, podemos correr o risco de não termos presente o longo caminho que ele percorreu, preparando-se para estar a serviço do Senhor. Um caminho percorrido, muitas vezes no silêncio, na escuta, com interrogações e na esperança de que o sumo e eterno Sacerdote, Jesus Cristo, que escolheu discípulos para exercerem em seu nome e publicamente na Igreja o ofício sacerdotal, em favor da humanidade, também o escolheu para esta nobre missão de santificar o povo de Deus através do seu ministério.

Colocar-se a caminho para chegar à terra prometida por Deus não foi fácil para Abraão, ou para o povo de Israel, provado duramente pela realidade do deserto e tentado continuamente a abandonar a fidelidade a Deus pela provação e o desconforto da caminhada. Não foi fácil também para o profeta Elias, que teve de passar por grandes momentos de provação. Adentrando no deserto, já cansado e desanimado, buscou, no silêncio daquele lugar desolador, uma resposta para a sua vida e sua missão. A força para superar aquele momento crítico lhe veio da comida e da bebida, preparados diretamente por Deus.

Elias viveu uma crise profunda na sua missão, que o colocava numa situação de insegurança, de cansaço e desconforto diante das incompreensões e perseguições dos inimigos da “Aliança”, estabelecida por Deus com seu povo através dos patriarcas. Ele representa uma espécie de espelho das desilusões familiares, profissionais, sociais e políticas do seu tempo. Mas Deus não permaneceu em silêncio diante das perseguições e sofrimentos pelos quais passava seu servo Elias. Ele respondeu ao profeta não com palavras consoladoras, mas com o gesto concreto de um alimento. Elias comeu e bebeu. Naquele gesto, além de não sentir-se abandonado por Deus, também entrou em comunhão com o seu Senhor através do pão e da água.

Deus, enquanto Pai, não se limita a dar qualquer coisa à humanidade. Doa-se a si mesmo em seu próprio Filho. Na experiência de Jesus, a sua existência se torna alimento para enfrentar o caminho da vida. O próprio Jesus vive um aprendizado exigente no período do deserto, que antecede sua vida pública. O Filho Unigênito do Pai, Jesus Cristo, é o pão da vida que o sacerdote ministerial consagra na celebração da Eucaristia, para saciar a fome de amor, de perdão e de comunhão do povo de Deus, às vezes cansado e desanimado, mas não prostrado, nem abatido.

Queridos irmãos e irmãs, o “pão da vida”, que é Jesus, tem o poder de revigorar as nossas forças e renovar nossa esperança para continuarmos a nossa peregrinação para a casa do Pai. A procura de Jesus pela multidão, descrita no Evangelho de São João, parece estar mais ligada ao pão doado na gratuidade e em abundância. Era cômodo seguir Jesus e receber o pão para saciar a fome, sem precisar trabalhar para conseguir ganhá-lo com o próprio suor. Porém, Jesus não foi enviado ao mundo pelo Pai para multiplicar e distribuir o pão material, mas para anunciar o Reino de Deus e a sua justiça. Onde reina o amor, está presente a justiça do Reino, e a dignidade de vida torna-se um direito de todos.

Comentando este texto, Santo Agostinho diz que se pode buscar Jesus por mil motivos, todos muito concretos, mas nenhum simplesmente por ser Jesus. É a mesma desilusão que experimentamos quando alguém busca a nossa amizade por interesse, não para celebrar um encontro na gratuidade. Mesmo com todas essas realidades que o envolveram na sua missão, Jesus doa às pessoas o sinal dos sinais, a sua existência, a sua vida que sacia e mata a sede no profundo do coração humano.

Abraçar o sacerdócio “ministerial” é assumir a dimensão do sacerdócio de Cristo Jesus. Vivemos num mundo onde muitas pessoas vivem saciadas de pão material, mas famintas do Pão descido do céu, Cristo Jesus, que alimenta a nossa fé, a esperança, e abre as portas do nosso coração para vermos o mundo com os olhos de Deus. Esta nova  visão nos ajuda a superarmos as barreiras da indiferença e do comodismo, que nos impedem de nos colocarmos em comunhão e a caminho para a casa do Pai, como povo de Deus da Nova Aliança, libertado pelo sangue de Jesus, e alimentado, não pelo maná do deserto, mas pelo seu próprio corpo, o Pão da Vida, o verdadeiro Pão descido do céu.

O alimento que Deus provê não se limita e encher o estômago. Não podemos alimentar com palavras quem tem o estômago vazio. Seria um insulto. Mas seria igualmente uma resposta vazia, dar somente pão, sem alimentar uma busca interior. Na sociedade do bem estar, marcada por uma visão consumista, devemos ter presente que “o segredo da existência humana não está somente no viver, mas naquilo pelo qual se vive” (F. Dostoiévski).

O sacerdote é chamado a celebrar o Santo Sacrifício eucarístico, a meditar constantemente sobre o seu significado e a transformar sua vida numa Eucaristia, o que se manifesta no amor ao sacrifício cotidiano, sobretudo no cumprimento dos próprios deveres de estado. O amor à cruz conduz o sacerdote a tornar-se uma oferta agradável ao Pai por meio de Cristo (Cf. Rm 12,1). Amar a cruz, numa sociedade hedonista, é um escândalo, porém, na perspectiva da fé, esta é a fonte da vida interior, que nos coloca em comunhão de amor com o Cristo Jesus, que no altar da cruz, foi sacerdote, vitima e oferenda pela redenção da humanidade.

Que a Virgem Maria, mãe do Cristo sacerdote, aqui venerada com o título de Nossa Senhora da Salete, a quem confiamos aquele que será ordenado sacerdote, interceda junto ao seu Filho Jesus pelo ministério de todos os sacerdotes, pelos consagrados e consagradas, pelos seminaristas, pelas nossas queridas famílias, pelos jovens, as crianças e todo o querido povo de Deus, que vive este tempo de Advento na espera e com a esperança de ver Jesus, o “Pão da Vida”.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.