Homilia

Dia Eucarístico

04/03/2018

Dia Eucarístico (04/3/18) 3º Domingo da Quaresma – 2018. Saúdo os sacerdotes, diáconos, religiosas, seminaristas e todos os participantes e simpatizantes do Apostolado da Oração que vieram participar deste Dia Eucarístico. Recordo aqueles e aquelas que, por motivo de saúde, não puderam se fazer presentes. Deus seja louvado por manterdes vivo, no vosso coração, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria. Minha gratidão ao assessor diocesano do Apostolado, Pe. Paulo, e aos Padres e lideranças que colaboraram nas reflexões e organização desta jornada de louvor a Deus, mas também de fortalecimento da caminhada de fé, neste tempo de Quaresma, quando vemos mais forte a misericórdia do Pai, manifestada no Coração transpassado do seu Filho Jesus. Estimados irmãos e irmãs, este tempo da Quaresma nos é oferecido pela mãe Igreja como um êxodo, uma oportunidade para percorrermos um caminho de purificação em preparação à celebração da Páscoa do Senhor. Mas penso ser oportuno lembrar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo, no convívio eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos. Nas dez palavras entregues pelo Altíssimo a Moisés sobre o monte Sinai se cruzam magnificamente a proposta de Deus e a resposta do homem. Nenhuma concorrência entre a fidelidade devida a Deus e a atenção para com os próprios irmãos e irmãs na humanidade. Sobre o Sinai resplende o mistério da cruz de Cristo Senhor, onde o “zelo” por Deus se une como num matrimônio para cuidar da vida de todos. Somente a liturgia do silêncio do coração, pode tornar possível uma fidelidade humilde e criativa. O Apóstolo São Paulo, na 1ª Cor 1,22-23, nos coloca diante do abismo do mistério pascal de Cristo: “Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos”. Mas, para os que são chamados,..., esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus”. O texto do Evangelho de João, neste domingo, nos coloca diante deste vício que pode fazer parte também da nossa vida, e que teima, continuamente, a pedir como os Judeus no templo: “Que sinal nos mostras para agir assim?” (Jo 2,18). Como está a nossa confiança no agir gratuito de Deus? Cada vez que também nós cedemos a esta tentação de pedir um sinal posterior, estamos manifestando a nossa dificuldade em acolher o sinal da presença do Senhor que está diante dos nossos olhos, em tantos pequenos gestos de amor de quem está ao nosso lado e partilha a vida conosco na família, na comunidade de fé e em tantas realidades do mundo. Talvez porque não nos agrada o “sinal” que nos é dado, porque exige de nós conversão e renovação, a partir do coração e das atitudes no nosso modo de ser cristão, preferimos viver a fé de forma superficial, pouco comprometida com o projeto de vida nova em Cristo Jesus, pela graça do batismo. Como aconteceu no Monte Sinai, também para nós, todas as Palavras que o Senhor nos oferece para orientar e guiar a nossa vida criam raízes na oferta de uma relação possível e desejada: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão” (Ex 20,2). A memória do dom de uma liberdade que não podemos ter sozinhos, mas que podemos receber numa relação filial e amorosa com Deus, que aceita comprometer-se com a nossa história, nos impede radicalmente de transformar a nossa vida de fé em um “mercado” (Jo 2,16). A resposta do Senhor Jesus aos Judeus está contextualizada num tempo preciso e simbolicamente forte: “Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém” (Jo 2,13). A festa que lembra o dom da liberdade oferecido por Deus ao seu povo torna-se uma ocasião para vender mais, quando na verdade deveria ser um momento para doar mais e doar-se mais. O Senhor Jesus lança um desafio a quantos lhe pedem um sinal. “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei” (Jo 2,19). São Paulo, na 1Cor 1,24, afirma: “Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” que se revela, porém não na força da evidência ou na férrea e precisa lógica do mercado, mas na fragilidade, do dom de si. A diferença está no saber oferecer-se a si mesmo – como acontecerá no mistério pascal do Senhor – e não sacrificar a vida do outro. São João Crisóstomo (+ 407), exortava os seus irmãos e exorta a nós também dizendo: “Em qualquer lugar em que vos encontrardes haveis com vós o altar, a faca e a vítima, sendo vocês mesmos sacerdotes, altar e vítima. Em qualquer lugar onde estais, podeis dispor do altar, porque sois puros de espírito. Nenhum lugar vos impedirá, nenhuma circunstância vos proibirá”. Em uma palavra, como o Senhor Jesus, somos chamados a sermos “sinal” (Jo 2,28) oferecido e entregue. À lógica do poder, que tem o dinheiro como um forte símbolo, se opõe o estilo evangélico da “fragilidade” de Jesus, da manjedoura na gruta de Belém à Cruz no Calvário. O sinal da cruz, que fazemos várias vezes ao dia, e a cruz que marca tantos lugares que frequentamos não é um sinal de força, mas nos remete à “insensatez” de um amor que jamais se impõe, mas sempre se expõe. É necessário repartir continuamente não de uma posição de força, mas da oferta de si mesmo a Deus. Queridos irmãos e irmãs, como discípulos e discípulas do Senhor não tenhamos medo de trabalharmos pelo fortalecimento da nossa fé, da fraternidade humana, no combate à violência, através do fortalecimento de uma cultura da paz, que nasce do Sagrado Coração de Jesus. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.