Homilia

Jubileu Sacerdotal

01/03/2018

Jubileu Sacerdotal (Gaurama, 1º/3/2018) Pe. Ivacir João Franco Saúdo o Bispo emérito Dom Girônimo Zanandréa, o Coordenador Diocesano de Pastoral, Pe. Maicon Malacarne, o Chanceler da nossa Diocese, Pe. Antonio Valentini, o jubilar, Pe. Ivacir João Franco, e através dele saúdo todos os sacerdotes e diáconos presentes. Saúdo as religiosas, os seminaristas, os familiares do Pe. Ivacir, de modo especial seus pais, senhor Desidério Franco e senhora Nailde Marmentini Franco, familiares e amigos da Comunidade N. Sra. da Saúde, Bela Vista, do Município de Barão de Cotegipe, que pertence à Paróquia Nossa Senhora Medianeira, da Barra do Rio Azul, Comunidade na qual Padre Ivacir começou sua caminhada de fé e de discernimento vocacional, favorecidos pelo ambiente religioso da família.  Saúdo as autoridades civis aqui presentes, os ministros e ministras extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, os e as catequistas, os e as zeladoras de capelinhas, os representantes das pastorais e movimentos, os membros dos Conselhos Econômicos e de Pastoral e todo o povo de Deus das comunidades da Paróquia São Luís Gonzaga e de outras Paróquias, onde o Pe. Ivacir trabalhou, e hoje vieram participar desta Santa Eucaristia em ação de graças pelos seus vinte e cinco anos de vida sacerdotal, vividos intensamente a serviço do Senhor e do povo de Deus, consolando os aflitos espiritualmente e fisicamente, na nossa Diocese de Erexim e em outras realidades. Queridos irmãos e irmãs, estamos vivendo o tempo da Quaresma, auxiliados pela Campanha da Fraternidade, com o tema: “Fraternidade e superação da violência”, numa reflexão, em nível nacional sobre e realidade da violência e o compromisso de trabalharmos juntos, como cristãos e irmãos, na criação de uma cultura da paz que respeite e proteja a vida com dignidade.  O sacerdote é um discípulo de Cristo, um médico das almas na sua missão, mas não pode fechar os olhos diante da dor e do sofrimento físico que atinge o povo de Deus, na sua peregrinação para a casa do Pai. O próprio evangelista São Lucas foi cognominado médico de corpos e de almas, porque antes de abraçar a missão de seguir o Senhor como discípulo, dedicava-se à profissão de médico. Soube abraçar a sua caminhada de fé conciliando o anúncio do Evangelho, sem deixar de cuidar da dor física daqueles que estavam abandonados à beira do caminho. No seu ministério, soube olhar e cuidar da dignidade de cada pessoa, que mesmo tendo um corpo fragilizado pela doença, é templo e morada do Espírito Santo, merecedora da graça e da misericórdia do Pai, da ternura e da proximidade do sacerdote, porque o seu ministério está ligado à missão do Cristo Sacerdote. O sacerdote, na sua vocação sacerdotal e na fidelidade ao Senhor Jesus, anuncia o Reino de Deus, mas também deve ser um profeta, que alimenta com esperança a caminhada de fé do povo, denunciando as injustiças que ferem as pessoas na sua dignidade humana e divina. O texto do livro do profeta Jeremias lembra que não basta ao ser humano acreditar somente nas suas capacidades e nos seus projetos. Ele precisa confiar em Deus, acreditar na sua palavra, para receber suas bênçãos e produzir frutos de justiça que revelam um coração tocado pela graça divina. São Lucas nos apresenta no texto do Evangelho um homem rico, cujo pecado não está ligado à sua riqueza, mas ao seu coração egoísta. Tinha criado dentro de si a ilusão de que a sua condição de bem-estar terreno, poderia continuar e lhe dar segurança depois da morte, independentemente das suas ações, da sua falta de caridade, da não compaixão pela fome e o sofrimento do pobre Lázaro, que, agonizando diante da sua porta, clamava pelas migalhas que caiam da sua mesa, para quem não teve sensibilidade e clemência.  As suas ações durante a vida lhe reservaram um lugar após a morte que não mais poderia ser mudado, nem para ele e nem para Lázaro. Mesmo com insistência, cada um escolheu seu destino já neste mundo, assim como cada um de nós escolhe o seu, através das ações do dia a dia e na confiança da misericórdia do Pai. Todos nós podemos ser uma gota de água num mundo de violência que tem sede de paz, tem sede de vida. Podemos oferecer a gota de água da solidariedade ativa às vítimas da violência e de outros males, que não foi possível para aquele que contemplou Abraão com Lázaro ao seu lado e clamava: “Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas”. Queridos irmãos e irmãs, o bem acontece no silêncio, mas nele está sempre presente Deus, que com seu amor e a sua bondade vai construindo no nosso coração o caminho da salvação que nos conduz à vida eterna na casa do Pai. Estimado Pe. Ivacir, ao longo dos teus vinte e cinco anos de ministério sacerdotal, Deus concedeu-te muitas graças, que partilhaste com o povo na ação pastoral em nossa Diocese e em outras realidades. Deus concedeu-te o dom de cuidar da saúde espiritual, mas também física de tantas pessoas que encontraste nas comunidades, ou que vieram à tua procura para receberem ajuda, confiando em ti porque és um sacerdote da Igreja Católica, homem de Deus, que sente compaixão pelos lázaros que batem à porta e pedem ajuda. Mesmo sabendo das tuas limitações de ser humano, continuas oferecendo, como sacerdote, o Pão da Palavra, o Pão da Eucaristia e o pão da medicina, para alimentar a caminhada de fé da alma, a esperança da cura do corpo para os irmãos e irmãs que peregrinam neste mundo, mas querem contemplar o rosto da misericórdia do Pai em sua glória. Que Nossa Senhora Aparecida, de quem és devoto, continue protegendo a ti e a todos nós com seu manto sagrado, para anunciarmos seu Filho Jesus ao mundo através das palavras e pelo testemunho das boas obras. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.