Homilia

Missa do Crisma – Catedral

28/03/2018

Missa do Crisma – Catedral, 28/3/2018 Saúdo o bispo emérito, Dom Girônimo, o Pe. Cleocir Bonetti, Vigário Geral, o Pe. Maicon Malacarne, Coordenador de Pastoral, o Pe. Antonio Valentini, Chanceler da Cúria, o Pe. Alvise Follador, pároco da Paróquia Catedral São José, que nos acolhe nesta noite; através deles saúdo todos os sacerdotes, os diáconos, religiosas, religiosos e seminaristas. Saúdo os irmãos e irmãs aqui presentes, lembrando com carinho aqueles e aquelas que por amor a Cristo Jesus e aos irmãos estão envolvidos nas pastorais e movimentos da nossa Igreja Diocesana, os participantes do coral Nossa Senhora de Fátima, com seu maestro Pe. Sala. Com espírito de comunhão, acolhemos todos vocês que vieram celebrar conosco esta Santa Eucaristia, a “Missa do Crisma”, expressão de comunhão do bispo com o seu presbitério, e uma oportunidade para manifestarmos gratidão a Deus pelo dom da vocação episcopal, sacerdotal e diaconal, com a qual fomos revestidos pela graça de Deus, apesar das nossas fragilidades. Queridos irmãos e irmãs, na Igreja que é “a casa e escola de comunhão” e que “tira a sua unidade da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, o presbítero é chamado a ser “o homem da comunhão”. O espírito de comunhão baseia-se no fato de que a Igreja, enquanto povo convocado por Cristo, é chamada a viver, e vive desde suas origens, uma forte experiência de vida comunitária (At 2,42). Deve-se, portanto, considerar que, ao receberem a ordem do presbiterato, os sacerdotes “estão unidos entre si em uma íntima fraternidade sacramental” e na diocese formam um só presbitério, no qual cada presbítero é parte de uma família – a família presbiteral. Concluímos o tempo da Quaresma para celebrarmos a Páscoa do Senhor. Foi tempo com forte apelo de conversão, dirigido não só aos leigos e leigas, mas também ao nosso coração de pastores do rebanho. Estimados sacerdotes e diáconos, sei que foram dias de intenso trabalho no vosso ministério. Visita aos enfermos, que são em número sempre maior na nossa sociedade, atendimento aos que procuraram o Sacramento da Reconciliação, celebrações, reuniões, etc. Quanto trabalho e entrega de vós mesmos que fazeis no exercício diário do vosso ministério. A vida do sacerdote deve ser caracterizada por uma disponibilidade permanente à vontade de Deus, seguindo o exemplo de Cristo. Isso implica uma contínua conversão do coração, que nos dá a capacidade de ler a vida e os fatos à luz da fé e, particularmente, à luz da caridade pastoral, para um dom total de si à Igreja segundo o desígnio de Deus (Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis). Durante as celebrações da Semana Santa, fazemos memória da instituição do Sacerdócio da Nova Aliança, marcada não pelo sangue de animais, mas pelo sangue de Cristo Jesus, sacerdote, profeta e rei, imolado na cruz como cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O vosso ministério sacerdotal, às vezes tão incompreendido, está ligado ao sacerdócio de Cristo, vítima que é também oferenda ao Pai. Através das vossas mãos consagradas, ofereceis a Deus o sacrifício da eucaristia, dele alimentais a vossa fé, e alimentais o povo de Deus que peregrina para a casa do Pai, com o Pão da Palavra e o Pão da vida, Cristo Jesus.   Queridos sacerdotes e diáconos, se às vezes a dor da incompreensão bater à porta do vosso coração, recordai-vos das palavras do profeta Isaías: “O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me para levar a boa-nova aos que sofrem, para curar os corações aflitos... consolar os tristes... dar uma coroa aos aflitos em vez de cinza... Todos os que os virem hão-de reconhecê-los como a linhagem abençoada pelo Senhor (Is 61, 1-9). Isaías se reconhece impuro diante de Deus, mas é purificado nos lábios com o fogo tirado do altar. Este fogo não queima, mas habilita Isaías para ser profeta, homem de Deus a serviço do Senhor. Aquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue fez de nós sacerdotes para estarmos a serviço do Reino junto ao povo de Deus. A dignidade do ministério sacerdotal não está ligada ao lugar ou ao cargo e às funções que exercemos, na vida da Igreja ou na comunidade de fé, mas na docilidade com que nos colocamos na escuta de Deus e ao serviço da Igreja e dos irmãos. O Papa Francisco nos recorda que não podemos perder de vista as nossas raízes, “para o que nos sustenta no curso do tempo, nos sustenta no curso da história para crescer rumo ao Alto e dar fruto. Sem raízes, não há flores, não há frutos. Dizia um poeta que tudo aquilo que a árvore tem de florido provém da parte dela que está debaixo da terra, das raízes. As nossas vocações sempre terão esta dupla dimensão: raízes na terra e coração no céu. Quando falta uma das duas, algo começa a correr mal e a nossa vida pouco a pouco definha (cf. Lc 13, 6-9), como definha uma árvore que não tem raízes... Devemos recordar que a nossa vocação é rica de memória que sabe reconhecer que nem a vida, nem a fé, nem a Igreja começaram com o nascimento de qualquer um de nós: a memória olha para o passado a fim de encontrar a seiva que, ao longo dos séculos, irrigou o coração dos discípulos e, assim, reconhece a passagem de Deus pela vida do seu povo. Memória da promessa que Ele fez aos nossos pais e que, perdurando viva no meio de nós, é causa da nossa alegria e nos faz cantar: «O Senhor fez por nós grandes coisas; por isso exultamos de alegria» (Sl 126/125, 3 - Discurso do Papa Francisco no encontro com sacerdotes e consagrados, 20 de janeiro de 2018 – Trujillo – Peru). Que a Virgem Maria, Senhora do Rosário de Fátima, Mãe de Jesus Cristo, sacerdote, profeta e rei, da Igreja e de todo sacerdote, e São José, intercedam junto ao Pai por copiosas benções sobre vós, sacerdotes e diáconos. Sobre as nossas famílias, berço e escola de vocações, sobre os chamados à vocação matrimonial, sacerdotal e religiosa, neste Ano Nacional do Laicato e na Ação Evangelizadora “cada comunidade, uma nova vocação”, que abriremos em nossa Diocese no final desta celebração. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.