Homilia

Páscoa da Ressurreição – Santuário

01/04/2018

Páscoa da Ressurreição – Santuário, 1º/4/2018 Saúdo o Pe. Valter, os irmãos e irmãs presentes aqui no Santuário Nossa Senhora de Fátima, e também aqueles e aquelas que nos acompanham através das Rádios, Virtual e Aratiba. Com estima fraterna, saúdo todos os sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosas e religiosos, seus familiares, os leigos e leigas envolvidos nas pastorais, movimentos e nas várias atividades da nossa Igreja neste ano a eles dedicado aqui em nosso País; as autoridades do poder executivo, legislativo e judiciário que atuam no território da nossa Diocese de Erexim, os agentes de segurança pública, os enfermos e seus familiares, os profissionais da área da saúde, os encarcerados e seus familiares. Queridos irmãos e irmãs, depois de vivermos, pessoal e comunitariamente, o tempo da Quaresma em preparação à celebração da Páscoa do Senhor, hoje, podemos elevar a Deus a nossa voz para cantarmos com os anjos a glória do triunfo da vida sobre a morte, da esperança contra o desespero e do amor sobre a violência e o ódio. Depois de Maria Madalena, com Simão Pedro e o discípulo amado, também nós chegamos, nesta manhã, ao sepulcro onde deveria estar o corpo sem vida do Senhor Jesus. Os discípulos procuraram entender o que tinha acontecido, e para isso precisaram recordar ou reviver as palavras pronunciadas por Ele. Dentro de nós, podemos estar buscando o modo de poder compreender o que aconteceu e o que está acontecendo ao nosso redor que revela falta de fé, indiferença no cuidado da vida e da sua dignidade. Foi difícil para os discípulos ficarem sem a companhia visível do Mestre. Precisaram aprender o caminho da comunhão, que não é limitada pelo espaço ou pelo tempo, mas é alimentada numa aliança de amor e fé, que nasce da vida entregue na cruz e da vitória da ressurreição. São Cirilo de Jerusalém, quando fala do pano que tinha sido colocado sobre a cabeça de Jesus e ficou dobrado num lugar à parte no sepulcro, diz: “É como se não tivesse tido nenhum contato com a morte, porque o corpo do Senhor é “carne sem carne”, aliás, é “carne santa”. Podemos dizer que, no momento da morte e da sepultura, o “Verbo se fez carne” (Jo 1,14) e se fez “carne santa” para dar à nossa carne e à nossa humanidade toda a esperança da sua divindade. Assim, o sepulcro assume todo o seu significado, que nos ajuda a compreendermos a ligação com a morte que se torna testemunha de algo, que a morte mesma não pode vencer, e sobre a qual não tem o poder. Por isso, a nossa invocação não pode ser outra que a dos dois discípulos viajantes a caminho de Emaús: “Fica conosco, porque já é tarde”. No contexto único deste dia de Páscoa, o apóstolo São Paulo nos exorta a “buscarmos as coisas do alto”. Não significa uma fuga da realidade, mantendo uma atitude de indiferença em relação à violência que causa tanta dor aos pais, às famílias e comunidades atingidas. Mas um compromisso de fé assumido através do discipulado, como leigos e leigas, “sal da terra e luz do mundo”, colocando a serviço do Reino a capacidade e a vontade de animar, com a energia da força pascal, o mundo em que vivemos. Não podemos deixar de nos unirmos à corrida de Pedro e do discípulo que Jesus amava. Na alegria inebriante da Páscoa de Cristo, queremos intuir com o coração antes de enxergarmos com os olhos. Somente assim seremos confirmados no nosso desejo de querer reencontrar Aquele que pensávamos ter perdido para sempre. A ressurreição do Senhor é uma lição de como o amor não pode ser algemado enquanto deixarmos para ele um lugar no nosso coração. A Páscoa do Senhor é a intuição do nosso coração formado na escola do amor na qual recebemos tudo aquilo que é necessário para o nosso caminho para a casa do Pai “através do seu nome”. Estimado irmão e estimada irmã, que a luz do Senhor ressuscitado continue iluminando o teu coração, os teus gestos de paz, amor e caridade, a vida da tua família e teus projetos por uma sociedade pacificada e pacificadora. Uma Feliz a Santa Páscoa a todos.