Voz da Diocese

As cruzes ao longo do caminho
17/03/2018

(18/3/18)

Estimados Diocesanos! O caminho que nos é proposto no tempo da Quaresma é de conversão, pela prática do jejum, da oração e da esmola, traduzida em gestos de caridade. Não podemos separar estes três elementos que marcam a nossa Quaresma, porque estaríamos correndo o risco de ficarmos na superficialidade, na hipocrisia de tentar apenas apaziguar a consciência, sem ouvir a voz do coração, que quer viver uma profunda comunhão com os irmãos a partir da comunhão com o Senhor Jesus.

Nem sempre, o nosso caminho quaresmal é marcado por conquistas. Podemos também experimentar o fracasso, de retroceder depois de ter percorrido de joelhos e entre lágrimas um longo caminho. Talvez tenhamos apostado muito nas próprias forças e pouco na graça e na misericórdia de Deus. Preparamo-nos para correr, quando o caminho da conversão podia ser feito na velocidade de um passo por dia, ou quem sabe por semana, para que os outros pudessem caminhar conosco e nos sustentar de forma fraterna e solidária na hora do cansaço e do desânimo.

Pode ser que, sentindo o peso da cruz que abraçaste com entusiasmo no início da Quaresma, depois da algumas semanas, começou a pesar, e, julgando que não terias forças para chegar ao final do caminho que te havias proposto percorrer, decidiste abandoná-la. Quem sabe esperando que outro pudesse abraçá-la para completar o percurso que tu havias planejado completar nesta Quaresma. Quem sabe fizeste este propósito de joelhos, em oração, colocando diante do Senhor uma intenção que era muito especial no teu coração e o Senhor acolheu tua oração, tua dor, teu silêncio e teu propósito, ele se dispôs a caminhar contigo. Por que queres, agora, deixar a tua cruz, que marca o teu caminho de conversão, abandonada à margem do caminho, sem chegar ao destino?

O que te fez desistir? A falta de forças ou cedeste ao demônio da preguiça, do comodismo, da indiferença, do egoísmo e do orgulho da auto-suficiência, não aceitando a companhia do Senhor Jesus? Às vezes, rejeitamos a “luz do Senhor” que ilumina o nosso caminhar, porque preferimos a companhia das trevas que estão em nós, e a elas estamos tão apegados, que preferimos abandonar as iniciativas para encontrar a ‘luz’. Mesmo assim, o Senhor não deixa de nos convidar para retomarmos a cruz e o caminho da conversão. Ele está próximo de nós, com seu amor e sua misericórdia, no bem e na dor que marcam o nosso coração e a nossa vida de peregrinos. Ele é o bálsamo da presença solidária, que alivia as nossas dores e alimenta a esperança no nosso coração, mesmo quando desistimos e deixamos a nossa cruz abandonada à margem do caminho.

Tende todos um bom domingo

+ Dom José Gislon - Bispo Diocesano de Erexim.

- Dom Frei José Gislon