Artigo

Documento de Santarém – 50 Anos 

Dom Benedito Araújo - Bispo de Guajará Mirim (RO)

 Em 1972 foi promulgado o documento: “Linhas prioritárias para a pastoral da Amazônia”. Esse documento foi fruto de inúmeros encontros dos bispos da Amazônia que frente às invertidas de ação colonialista desenvolvimentista; enquanto pastores e profetas eles sentiam a necessidade de priorizar uma evangelização encarnada e libertadora. Os desafios das décadas,  se repetem e exigem ainda mais a presença de uma Igreja militante “em saída”, e cada vez mais profética na linha de frente da Evangelização lutando pela salvaguarda da criação, da biodiversidade, biomas e culturas desta vasta região. 

Os fundamentos para tamanho dinamismo por parte da Igreja particular da Amazônia brotaram do novo modo de ser Igreja, a partir do Vaticano II e Medellim, com uma experiência de sinodalidade já em curso levantando assim prioridades pastorais centradas nas grandes diretrizes básicas da encarnação na realidade e evangelização libertadora. 

Essa encarnação vital na Amazônia é a encarnação do próprio Cristo, é anterior e subjacente a toda Pastoral como programa ou ação, e supõe uma vontade permanente de conversão ao Verbo Encarnado. 

ENCARNAÇÃO NA REALIDADE 

Exige um total entrosamento com a realidade concreta do homem e do lugar (centros, urbanos ou rurais, novos núcleos humanos, comunidades indígenas, setores marginalizados, áreas de emergência…):

Pelo conhecimento (reflexão, pesquisa, estudo) e pela convivência com o povo, na simplicidade e na amizade do dia a dia. 

Estimula o renovado proposito de superar todo paternalismo, todo etnocentrismo, (que nos enquadre numa cultura ou num grupo), todo modelo importado, pré-fabricado ou artificial de vida; estimula uma decidida criatividade pastoral.

Reclama um permanente Testemunho: livre, por um lado, de todo compromisso que não seja o Evangelho, e, por outro lado, realista, corajoso e repleto de esperança; tanto na vida do individuo e da comunidade eclesial quanto na palavra e na ação apostólicas.

 EVANGELIZAÇÃO LIBERTADORA 

Com uma consciente explicitação daquela plena libertação que a Pascoa de Cristo traz ao homem e a historia humana, em todas as conjunturas e latitudes, segundo o espirito e as diretrizes de Medellim e do ultimo Sínodo, atualizados e aplicados à Amazônia: 

Evangelização sem dicotomias, isto é, abrangendo harmonicamente o homem todo e todos os homens, o individuo e a sociedade.

Uma evangelização que envolverá progressivamente a catequese e a liturgia sempre fiel tanto ao Espírito de Jesus e a sua mensagem total quanto aos sinais de lugar e do tempo, das culturas e dos grupos, da natureza e do homem.

Uma evangelização que possibilite desde o inicio, a conscientização como pressuposto indispensável para a libertação do homem, porque lhe descobre a sua condição de pessoa e de filho de Deus.

Em virtude dessa evangelização libertadora, a Igreja tem direito de se pronunciar perante tudo aquilo que de algum modo atinja à dignidade e à liberdade da pessoa humana.

Este projeto arrojado de aplicabilidade da identidade pastoral pela Doutrina Social da Igreja é proposto metodologicamente com objetivos,        metas, problemáticas e justificativas, programas de ação, pistas de ação e formação de agentes pastorais. 

A conclusão do documento datado em 30 de maio de 1972 cita: “Em mensagem que si dignou enviar ao povo brasileiro, em outubro do ano passado nosso Pontífice e Amigo, Paulo VI colheu nos lábios de Maria o feliz preceito das bodas de Caná: Fazei tudo o que Ele vos disser”, e pergunto: “Que é que eles nos diz agora” “Ele aponta para a Amazônia”. 

Em 2022, cinquenta anos depois acontece o IV Encontro de Igreja Católica na Amazônia Legal para celebrar de forma jubilosa esse grande marco da Igreja que estar na Amazônia. 

No majestoso Seminário São Pio X no coração da cidade de Santarém, cidade onde acontece o encontro do dois dos mais belos rios da Brasil, o grandioso Rio Tapajó e o Rio Amazonas, aconteceu o memorável reencontro para celebrar os 50 anos deste importante documento. 

Tanto a celebração de abertura como de encerramento foi marcada pela memória da “paz inquieta” daqueles pioneiros/as do profetismo na Amazônia, o testemunho de cada um deles, continuam nos interpelando e nos motivando a não abri mão da defesa da Amazônia, dos seus povos, culturas, tradições e biodiversidades. 

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