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Em domingo esplendoroso, uma Romaria de Fátima magnífica

Depois de dias muito favoráveis para as três celebrações cotidianas da novena de Fátima, 14h, 18h e 20h, o domingo foi esplêndido para a 68ª Romaria de Fátima, no Santuário Diocesano de Erexim, neste dia 13, que coincidiu com a última das aparições de N. Sra. na Cova da Iria, Portugal.

Além das seis missas no Santuário, houve a grande procissão da Catedral àquele santuário e missa campal, presidida pelo Administrador Diocesano, Pe. Antonio Valentini Neto, concelebrada pelos padres três padres jubilares do ano, Waldemar Zapelini, Claudino Talaska e João Dirceu Nardino, mais os padres Valter Girelli, Maicon Malacarne, Dirceu Balestrin, André Lopes, Carlos Pontel, e José Carlos Sala, com equipe de música e canto.

No final da procissão, os padres Antonio e Maicon foram ao encontro da imagem peregrina de Fátima para acompanhá-la até sua colocação junto ao altar, enquanto o povo cantava entusiasmado e a aplaudia.

Colocada a imagem, houve sua coroação. A coroa foi conduzida por uma senhora que passou por câncer, acompanhada por diversos coroinhas.

Na homilia, o Administrador Diocesano ressaltou aspectos do contexto da Romaria deste ano, a vacância episcopal da Diocese e o Mês Missionário Extraordinário, com a realização da Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Região Amazônica, em Roma. Mencionou também o significado do Santuário e seu entorno como ponto de referência de espiritualidade da Diocese. Manifestou comunhão incondicional com o Papa Francisco, que passa por críticas e restrições infundadas também de membros de nossa própria Igreja, o que é mais grave, assumindo o Mês Missionário Extraordinário. Destacou o tema e o lema da Romaria, com os diversos aspectos refletidos em cada dia da novena. Motivou cada participante identificar um compromisso pessoal a partir da Romaria e relacionou diversas iniciativas comuns a serem assumidas, como o cultivo da oração pela paz e pelas famílias, como Maria pediu em Fátima; o amor à Igreja, especialmente pela participação ativa em nossas comunidades; uma especial atenção aos jovens, o empenho comum na implementação do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora que está em elaboração a partir de nossa assembleia no início do mês passado; mais, o cuidado com a Casa Comum; o espírito crítico em relação a mensagens maldosas que circulam nas redes sociais que ferem a honra de pessoas e instituições, criam clima de hostilidade e divisão. (Em fotos, colaboração de Cláudio de Oliveira e Rochele Koralewski)

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Íntegra da homilia do Administrador Diocesano

Esta esplanada do Santuário de Fátima na sede desta Diocese de Erexim, com suas sucessivas remodelações, especialmente a de 2017, por ocasião do centenário das aparições da Virgem Maria em Fátima, Portugal, é o espaço sagrado que acolhe inúmeros peregrinos ao longo do ano, mas especialmente na novena e romaria anual. Esta esplanada, mais que um cartão postal ecológico, pulmão verde nesta cidade, é um pulmão espiritual a oxigenar permanentemente a vida cristã de nossa Diocese; é espaço mariano, fonte revigoradora de vida cristã, no coração de nossa diocese. Aqui nos refazemos pelo amparo carinhoso de Maria, pelo encontro humano com os irmãos, mas especialmente pelo encontro divino da celebração da santa Missa. Aqui brota e daqui corre para os recantos da região, para suas famílias e comunidades a torrente de água viva da qual fala o profeta Ezequiel no capítulo 47 de sua profecia em relação ao Templo de Jerusalém, centro das peregrinações do povo de Abraão, Isac e Jacó. A água viva das celebrações eucarísticas e das devoções aqui vividas, das reuniões, dos cursos, retiros e encontros aqui realizados vai levando força revigoradora até onde chega pelas pessoas que daqui retornam a seus lares e comunidades.

A romaria deste ano, na particularidade da vacância episcopal e durante a Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, neste Mês Missionário Extraordinário, se reveste de dupla característica, uma de especial comunhão e corresponsabilidade diocesana e outra de caráter missionário, de abertura para a Igreja em nível universal.

Em nível diocesano, rogamos a Deus, por intercessão de Maria, que nos conceda um novo Bispo no menor tempo possível e olhe com carinho para as necessidades de toda a Diocese, para que possa responder aos desafios atuais da evangelização e prosseguir em sua caminhada histórica já próxima do seu cinquentenário, especialmente pelo novo Plano da Ação Evangelizadora a ser promulgado em breve. O Bispo que chegar deve encontrar as comunidades vigorosas, na alegre expectativa de uma família pelo retorno do pai ou da mãe, depois de mesmo que breve período de ausência.

Em comunhão com a Igreja em sua dimensão universal, reunidos com Maria como os discípulos no Cenáculo de Jerusalém aguardando a vinda do Espírito Santo, lhe pedimos que revigore em todos nós o espírito missionário, particularmente em relação à Igreja na Amazônia, para que ela, como deseja o Papa identifique “novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”. Em comunhão incondicional com o Papa Francisco, que passa por críticas e restrições infundadas também de membros de nossa própria Igreja, o que é mais grave, assumimos o Mês Missionário Extraordinário em andamento com seu tema “batizados e enviados, a Igreja de Cristo em missão no mundo” com objetivo por ele estabelecido, de “que todos os fiéis tenham verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras; e aumente o amor pela missão, que “é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo”.

No contexto do Mês Missionário Extraordinário e de outros aspectos, nossa Romaria assumiu o tema “com Maria, enviados em missão” e o lema, “todos os dias anunciavam Jesus”, referindo-se ao ardor evangelizador de nossos primeiros irmãos na fé cristã.

Reunidos por Maria, reconhecemos nela a mulher da segunda leitura, vestida de sol, ou seja, com a luz da glória divina, que nos deu o Redentor, que o dragão, figura do mal, o império romano opressor, no início da Igreja, queria abocanhar. Hoje, o dragão continua furioso e ameaçador, querendo sufocar o projeto do Filho da Virgem Maria. São forças traiçoeiras, que, no dizer de Cristo, se apresentam com pele de ovelha, mas que são lobos vorazes e querem perpetuar as injustiças sociais que não preciso enumerar.

Lembrando o chamado que Deus fez a Maria e a reposta generosa e pronta que ela deu, queremos fazer como o profeta Isaías, conforme a primeira leitura, que se sentiu chamado e ungido por Deus para proclamar uma boa nova para os humildes, o tempo da graça do Senhor. Que nunca anunciemos ou espalhemos coisas do maligno. Acolhendo o envio missionário de Cristo aos Apóstolos, apresentado pelo evangelho desta missa, vivamos nosso compromisso batismal, irradiando sua paz e trabalhando para que todos tenham vida, como é desejo dele. Sejamos pacíficos e instrumentos de paz. Vivamos a vida nova e sejamos todos cuidadores, criadores e mantenedores do meio ambiente, ajudando a salvaguardar o direito e a dignidade de vida das gerações futuras.

A novena desta Romaria nos ajudou a refletir sobre a participação na missão de Cristo da parte dos jovens, dos que exercem o poder executivo, judiciário e legislativo, dos que atuam nos meios de comunicação social, dos que cuidam da vida, especialmente nos hospitais, casas de repouso, pastoral da saúde e similares, dos educadores e estudantes, dos que atuam nas pastorais sociais pela promoção humana, da família e o compromisso missionário de cada um de nós. 

Certamente, a Romaria também nos propõe alguns compromissos. Cada um deveria identificar o que ela propõe para si, conforme sua realidade, a situação de sua família, a maneira como se relaciona com as pessoas, as necessidades de sua comunidade. Ninguém retorne desta Romaria sem um renovado compromisso com os princípios do Evangelho. Ousaria dizer que a Romaria nos propõe o cultivo da oração pela paz e pelas famílias, como Maria pediu em Fátima; o amor à Igreja, nossa mãe, especialmente pela participação ativa em nossas comunidades; uma especial atenção aos nossos jovens, no espírito da Exortação Apostólica do Papa Francisco, Cristo vive e nos quer vivos, a partir da Assembleia do Sínodo dos Bispos no ano passado, sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”; no desdobramento deste compromisso, um esforço especial em favor das vocações sacerdotais e religiosas em nossas comunidades; ainda, o empenho comum na implementação do novo Plano Diocesano da Ação Evangelizadora que está em elaboração a partir de nossa assembleia no início do mês passado; mais, o cuidado com a Casa Comum; o espírito crítico em relação a mensagens maldosas que circulam nas redes sociais que ferem a honra de pessoas e instituições, criam clima de hostilidade e divisão.

Que Maria, nossa Mãe, nos ajude a cumprir o que recomendou em Caná da Galileia, fazer tudo o que seu Filho Jesus nos ensinou. Assim seja. E nesta disposição, renovemos nossa fé – creio....