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Eucaristia, sinal e sustento no cuidado com a comunidade na novena de Fátima 

A procissão motorizada partindo da igreja São Pedro, passando pelo Presídio Estadual e pelo Hospital de Caridade, culminando com missa no Santuário de Fátima, foram presididas pelo Pe. Anderson Faenello, Pároco da Paróquia São Cristóvão, nesta segunda-feira, dia 05, comemoração de São Benedito, o Negro e Santa Faustina Kowalska. A procissão foi animada pelo Pe. Lucas Stein, Vigário Paroquial da Salette, Três Vendas e o canto, pelo Pe. Sala e equipe. A celebração contemplou o cuidado da comunidade, da Igreja.

No primeiro momento de sua reflexão, conforme íntegra adiante, Pe. Anderson ressaltou a figura e a presença de Maria na história da Igreja. Como ela gerou Cristo em seu seio e foi fiel discípula dele, também acompanhou a geração da Igreja, Por isso, para se cuidar da comunidade, da Igreja, como propõe este dia da novena, é necessário recorrer a Maria, modelo de fé firme e de esperança inabalável nas promessas divinas. Ressaltou que o cuidado da comunidade, da Igreja exige antes de tudo, entendê-la e promovê-la como espaço de encontro com Cristo, não tanto e nem apenas como lugar de encontro e partilha entre irmãos. O centro da Igreja é a Liturgia, cuja fonte e culminância é a Eucaristia. Por ela se renova o mistério pascal e se vive a experiência dos discípulos de Emaús, que faz abrir os olhos e arder o coração para a intimidade com o Mestre e para dar bons e abundantes frutos, conforme a passagem do evangelho da videira e dos ramos, proclamada na celebração. Citou o jovem beato Carlo Acutis, italiano, que será declarado santo no próximo sábado, dia 10, 14 anos após sua morte. Viveu tão somente 15 anos, mas tempo suficiente para deixar um testemunho marcante de amor à Eucaristia, de devoção à Virgem Maria, de amor aos pobres, de zelo missionário, de compromisso com a Igreja.

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Íntegra da homilia do Pe. Anderson

Com Maria, cuidar da comunidade – Igreja, este é o tema desta quarta noite da novena de Nossa Senhora de Fátima.

Se recordarmos a história bíblica, a experiência da Igreja nascente, reconheceremos, certamente, e com destaque, a presença e a importância de Maria para o “cuidado da comunidade, da Igreja”.

Maria, na verdade, se antecipa à história da Igreja, tendo em seu ventre gerado aquele que deu origem à Igreja, Jesus Cristo, a quem Maria acompanhou, apesar de ser mãe, como fiel discípula, seja nos primeiros passos, como na apresentação ao Templo, seja no anúncio do Reino, como nas bodas em Caná, seja ainda no caminho do Calvário, até a crucificação.

Maria gerou e acompanhou Jesus. Igualmente Maria acompanhou a geração, o início da Igreja. Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria – como nos ensina São João Paulo II – “é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição” (Alocução da Audiência geral, 6/4/96). A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor: na obscuridade que envolve o universo, Ela entrega-se plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas.

Também no Pentecostes, Maria é presença, testemunho e depositária da promessa que já se cumpre: “o Espírito Santo descerá sobre vocês, e dele receberão força para serem minhas testemunhas” (At 1,8).

Então, no propósito de cuidar da comunidade, da Igreja, é justo e necessário invocar Maria: “com Maria, cuidar da comunidade, Igreja”.

O cuidado da comunidade, da Igreja, implica, antes de mais nada, favorecer que ela seja lugar de encontro com Cristo. Às vezes somos levados a acreditar que a comunidade, a Igreja, é o lugar do encontro e da partilha entre irmãos, que na comunidade todos devem se sentir bem e amar-se mutuamente. Sim, isso é importante, mas não suficiente. Na verdade, nem central. O centro da Igreja é a Eucaristia, e é a partir dela que se pode alcançar tudo o mais, e tudo sempre a ela, à Eucaristia, deve voltar-se.

Sempre que celebramos a Eucaristia renovamos em nós o Mistério Pascal de Cristo, atualizamos seu memorial sendo também nós, e de novo, convidados a nos sentarmos à mesa com Ele e a o comtemplarmos dando graças, partindo o pão e distribuindo o vinho, seu corpo e seu sangue. Sempre que a Igreja celebra a Eucaristia, nós, de certo modo, revivemos a experiência dos discípulos de Emaús: abrem-se os nossos olhos, somos levados a reconhecer o Senhor e sentimos arder o nosso coração.

Assim, com os olhos abertos e fitos no Senhor e com o coração ardendo, somos desafiados e habilitados a perceber e a sentir a realidade de todos com os mesmos sentimentos de Cristo, em quem entramos em comunhão: sem atitude de condenação, pois é Ele que conhece todas as coisas, conforme ouvimos da Leitura da Carta de São João, e amando-nos uns aos outros como ele nos mandou; são os frutos bons que produzem aqueles que se mantém unidos a Cristo, como ramos que se ligam à videira e, justamente por isso, recebem os cuidados do Pai, o agricultor, que os poda e limpa para que deem mais fruto ainda. No contrário, corta, lança ao fogo e queima.

O Senhor não nos fez para a perdição, para o fogo, mas sim para produzirmos bons frutos, unidos a Ele. “Quem permanece em mim, e eu nele, dará muito fruto; porque sem mim nada podem fazer”, disse o Senhor.

E como temos testemunhos no mundo de homens e mulheres que souberam viver assim, unidos a Cristo, e produziram muitos e bons frutos.

Cito um, que tomou os noticiários nos últimos dias, do jovem Carlo Acutis, que será canonizado no próximo dia 10, sábado. Morreu em outubro de 2006. Viveu 15 anos. Pouco, mas o suficiente para marcar a história com seu amor à Eucaristia e sua devoção à Virgem Maria.

Este jovem beato viveu em amizade íntima com Jesus: diariamente participava da missa e comungava, bem como diariamente recitava o terço; compreendeu que para um autêntico apostolado se faz necessária uma autêntica vida espiritual. Por amor a Jesus, amou aqueles que são por Ele amados: os pobres, os marginalizados, os sem-teto, os idosos abandonados e solitários; usava de suas economias, de sua mesada, para ajudar os mendigos; organizava feiras na paróquia para ajudar as missões.

Foi um jovem como todos os jovens, até por seu gosto particular pela informática, sendo já conhecido como “padroeiro da internet”, mas com uma diferença: colocou no centro do seu dia o encontro com Jesus Eucarístico, com a missa e a adoração, que fazia antes ou depois de cada celebração. Dizia: “A Eucaristia é a minha autoestrada para o Céu”. Também afirmava que “nós temos mais sorte do que os discípulos que conviveram com Jesus, porque para nos encontrarmos com Jesus, hoje, é só entrar na Igreja. Jerusalém está aqui, pertinho de nossas casas”.

E com que razão afirmava tal coisa, afinal é o Senhor mesmo quem ensina: “Quem come a minha carne bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56); ou ainda: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha vida” (Jo 6,51).

Cristo se fez pão, se fez Eucaristia. Mas como ter Cristo na Eucaristia, adorá-lo e comungá-lo sacramentalmente, se não através da Igreja? Cuidemos da Igreja, cuidemos da comunidade, é por ela, nela e dela que recebemos o Cristo, a Eucaristia. A Eucaristia nos une a Cristo, e assim, unidos a Cristo, vivemos unidos entre nós, entre irmãos, produzindo frutos bons e abundantes.

Com Maria, cuidemos da Comunidade-Igreja!

“Caminhemos, num só coração!

Deus se faz presente “no partir o pão”!

Discípulos Missionários, eis nossa verdade:

Eucaristia, Pão da Unidade!” (refrão)

 

Pe. Anderson Francisco Faenello,

Paróquia São Cristóvão, Erechim.