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Em Mariano Moro, ordenado novo padre da Diocese de Erexim

Em manhã com nuvens amainando o calor do sol que se anunciava escaldante neste sábado, 21, véspera do início do verão, já na proximidade da solenidade do Natal, muitos carros, alguns ônibus e vans, vindos das comunidades da Paróquia local, São Francisco de Assis, de Mariano Moro, de várias outras, especialmente de N. Sra. da Salette e São Pedro, de Erexim, levaram muitas pessoas para a ordenação presbiteral do diácono Lucas André Stein para a Diocese de Erexim.

A solene liturgia foi presidida por Dom José Gislon, Bispo da Diocese de Caxias do Sul, concelebrada por 32 padres da Diocese de Erexim e 8 de outras, e participada por 8 diáconos, diversas religiosas, vários ministros, seminaristas e em torno outras mil pessoas que lotaram completamente o Salão Comunitário local. Pe. José Carlos Sala e grupo de instrumentistas e cantores sustentaram o canto da assembleia.

No início da celebração, a pedido de Dom José, o Pároco local, Pe. Paulo Caovila, deu as boas-vindas a todos e apresentou os diversos grupos presentes. Após o evangelho, Pe. Clair Favreto, Reitor do Seminário São José, solicitou ao Bispo que ordenasse presbítero o diácono Lucas. Dom José, passando para a homilia, depois de saudação a diversas pessoas, referiu-se ao lema do ordenando, “o amor jamais passará”, tirado da primeira carta de São Paulo aos coríntios, que ressalta a natureza do amor. Mencionando a vocação de Moisés, do profeta Isaías, dos apóstolos São Pedro e São Paulo e do diácono Lucas, ressaltou que Deus chama as pessoas na realidade de sua vida e as transforma no seu interior, pela atração do amor, para se colocarem a serviço do Reino. O sacramento da ordem torna a pessoa um homem de Deus, sensível às dores, alegrias e esperanças do povo a quem deve servir, atento ao sopro do Espírito Santo. Como tal, anuncia uma mensagem de alegria e esperança, gasta sua vida a realizar aquilo que Deus deseja através do ministério da Igreja. Exortou ao ordenando a revelar sempre o amor com que Cristo amou a todos. Concluiu convidando os participantes a elevarem à Mãe de Cristo, a São José e a São Francisco a oração suplicando a fidelidade no seguimento de Jesus Cristo, que contemplamos na manjedoura da gruta do presépio e que é a testemunha fiel de Deus Pai.

Na sequência do rito, interrogou o Diácono Lucas sobre suas disposições para assumir o compromisso sacerdotal, na obediência ao seu bispo. Em súplica especial da graça divina para a ação sacramental, a assembleia cantou a ladainha de todos os santos, após a qual Bispo e os padres impuseram as mãos sobre o ordenando. O Bispo proferiu a oração consecratória, ungiu as mãos do novo padre e lhe entregou os símbolos da Eucaristia, o pão e o vinho.

No final da celebração, pela Pastoral Presbiteral, Pe. Agostinho Dors cumprimentou o novo padre e o acolheu na sua nova família, a dos presbíteros da Diocese, convidando o Pe. Dirceu Balestrin a entregar-lhe uma lembrança. Pe. Lucas, por sua vez, dirigiu sua palavra expressando gratidão a Deus, à família, à comunidade e à Paróquia, aos formadores e a diversas outras pessoas. Dom José também manifestou agradecimentos e desejo de celebração natalina feliz e frutuosa para todos.

Concluído ato litúrgico, os participantes degustaram o que haviam levado para a confraternização partilhada.

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Íntegra da homilia de Dom José

Ordenação Sacerdotal

Diácono Lucas André Stein

Mariano Moro, 21/12/2019

Lema: “O amor jamais passará” (1Cor 13,8).

Saúdo o Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano; o Pe. Cleocir Bonetti, Coordenador da Cúria Diocesana; o Pe. Dirceu Balestrin, Coordenador da Pastoral Presbiteral; o  Pe. Clair Favreto, Reitor do Seminário Maior São José; o Pe. Giovani Momo, promotor vocacional da Diocese; o Pe. Agostinho Dors, pároco da Paróquia São Pedro de Erechim na qual o ordenando fez seu estágio diaconal; o Pe. Paulo Caovilla, pároco desta Paróquia dedicada a São Francisco de Assis, e através dele saúdo todos os sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas presentes.

Saúdo o senhor Irineu Fantin, prefeito municipal de Mariano Moro, e através dele todas as autoridades civis aqui presentes ou representadas. Minha carinhosa saudação aos ministros e ministras extraordinários da sagrada comunhão eucarística, às catequistas, às zeladoras de capelinhas, aos que estão envolvidos nas pastorais e movimentos, aos membros dos Conselhos e a todo o querido povo de Deus que veio das comunidades desta paróquia, de outras paróquias da nossa Diocese, mas também de outras Dioceses do Rio Grande do Sul e de outros Estados. Saúdo os que nos acompanham pela Rádio Aratiba e pelo facebook do Santuário de Fátima.

Com estima, saúdo os pais do Diácono Lucas André Stein, que será ordenado sacerdote, o senhor Osmar Stein e a senhora Noeli Tenutti Stein, seu irmão Luan, a nona paterna, senhora Maria, os nonos maternos, senhora Ilda e Fintano, tios, primos e outros familiares aqui presentes. Sei que alguns vieram de muito longe para participar deste momento tão bonito e marcante na tua vida, Lucas, mas também na vida da tua família, da comunidade São José, de Rio Branco, que tu levas no coração, porque é o lugar onde estão as tuas raízes e onde sentiste o chamado de Deus para abraçar a vocação sacerdotal, de servir o Senhor, servindo a Igreja Povo de Deus.

Aquela comunidade, povo de Deus, que rezou e te acompanhou em cada passo da tua história, hoje está aqui, louvando e agradecendo a Deus pelo teu “sim”, de servir o Senhor, através do Ministério Sacerdotal que irás receber.  Aqui estão pessoas que diariamente te recordam nas suas orações, mas penso que uma pessoa de modo especial, sempre acreditou em ti e sempre esteve ao teu lado com ternura e amor, como foi Maria de Nazaré na vida de Jesus, tua mãe, essa mulher guerreira, dedicada ao trabalho, à família e no serviço à comunidade de fé. Exemplo de amor e serviço pelo Reino e pelos irmãos e irmãs tens dentro da tua própria casa.

Estimado Diácono Lucas, escolheste como lema da tua ordenação presbiteral: “O amor jamais passará” (1Cor 13,8). O amor, segundo o apóstolo São Paulo, é paciente, prestativo, exclui todas as manifestações de inveja ou de arrogância, é desinteressado e recusa-se a fazer justiça a si mesmo e nada fará que possa atingir os direitos dos outros. Segundo Santo Agostinho, o amor fala por si mesmo, é o caminho do bem, cuja via todo cristão deve seguir. O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais há de ter fim.

A palavra de Deus nos faz refletir sobre a vocação e nos faz render graças a Ele pelo dom do chamado do profeta Isaías, do apóstolo Paulo, mas também do Diácono Lucas que será ordenado sacerdote. A missão de salvação iniciada pelo Senhor Jesus necessita de colaboradores que lhe deem continuidade, de geração em geração, para que todos sejam alcançados pelo dom do seu amor, pela sua páscoa redentora.

Cada um é chamado onde se encontra, para servir o Senhor. Isaías sente o chamado enquanto estava servindo no templo, Pedro à beira do lago, Paulo a caminho de Damasco, Moisés enquanto cuidava do rebanho. O Senhor não chama pessoas perfeitas para estarem a serviço do Reino, mas transforma quem é chamado a partir do seu interior, por atração de amor. A mudança do agir exterior tem suas raízes na conversão interior que permite o encontro em Deus, o impulso e a coragem para uma vida nova.

Como fez Pedro diante da pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes”? É fácil ver na tríplice confissão de Pedro uma reparação da sua tríplice negação. Jesus foi condescendente com Pedro, e é condescendente com cada um de nós, mesmo conhecendo a imperfeição do seu amor, lhe confiou a primazia entre os apóstolos e o cuidado das suas ovelhas.

O Sacramento da Ordem faz do ordenado não um super-homem, mas um homem de Igreja, um homem de Deus, sensível às dores, alegrias e esperanças do povo a quem serve, e também aberto ao sopro do Espírito Santo, ao mistério pascal. Já não vivemos para nós, mas para aquele que, por nós, se encarnou no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo, nasceu em Belém, morreu e ressuscitou.

A fé cristã, que devemos pregar, é uma mensagem alegre, uma mensagem de esperança. Somos chamados a crer na luz mesmo durante a noite; a crer no bem mesmo em tempos maus; a crer na alegria mesmo na dor; em crer no perdão mesmo diante da morte; a crer no amor mesmo que os homens estejam cheios de enigmas; a crer no futuro mesmo que todos os caminhos estejam fechados e pareça que já não há uma saída.

O sacerdote que gasta sua vida para a glória de Deus e que exerce o seu ministério para que as pessoas sejam alegres, faz tudo o que a Igreja quer fazer através do seu ministério sacerdotal no mundo, por mandato de Jesus cristo. Entretanto, o ministério sacerdotal indica a via que leva a Cristo e ao Evangelho, que contribui para formar uma cultura da vida e do amor. O ministério sacerdotal é a expressão e a concretização da convicção religiosa dos cristãos de que Nosso Senhor está presente no meio de nós todos os dias até o fim do mundo para salvar e santificar.

Caro filho, que no teu ministério sacerdotal possas revelar sempre aquele amor com que Jesus amou a nós e aos que encontrou prostrados e abatidos ao longo dos caminhos por onde passou. Um amor que fala ao coração, que dá dignidade e esperança aos pobres e abandonados, e move o coração dos saciados para a prática da caridade e da solidariedade.

À Virgem Maria, mãe de Jesus, da Igreja e nossa, a São José, seu esposo e a São Francisco, o arauto do Evangelho, elevemos a nossa oração, para que nos guiem e nos sustentem sempre no nosso caminho, no seguimento de Jesus Cristo, que contemplamos na manjedoura da gruta do presépio e que é a testemunha fiel de Deus Pai.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!