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Cardeal Etchegaray foi um "homem da fraternidade universal", afirmam em exéquias

Foi celebrada na manhã do dia 9 de setembro, na Catedral de Bayonne (França), as exéquias solenes do Cardeal Roger Etchegaray, Purpurado francês falecido em 4 de setembro, aos 96 anos.

O rito do funeral foi presidido pelo Cardeal Dominique Mamberti, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. Entre os concelebrantes estavam o Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral; o Cardeal Jean Pierre Ricard, Arcebispo de Bordeaux; e o Cardeal Philippe Barbarin, Arcebispo de Lyon.

O Cardeal Mamberti disse que a vida do Cardeal Etchegaray teve Cristo como chave. "Uma vida orientada para o dia de seu encontro com seu Senhor, um dia que ele tanto desejava".

“Foi sua íntima relação com Cristo que o guiou em seus vários ministérios e o fascinou” até se tornar verdadeiramente o servo de todos, “como aquele a quem ele havia dedicado toda a sua vida”, afirmou o Cardeal Mamberti.

Como presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, o Cardeal Etchegaray buscou “a justiça para os pobres e os fracos: este foi o compromisso diário do cardeal com João Paulo II, e nas várias missões que o fizeram descobrir tanto sofrimento humano e espiritual”, afirmou.

Nessas viagens, disse, procurou “trabalhar pela instauração da paz e a reconciliação entre homens e povos. Também nisso era verdadeiramente o homem da fraternidade universal".

Sua vida

O Cardeal Roger Etchegaray nasceu em 25 de setembro de 1922, em Espelette, na Diocese de Bayonne (França).

Estudou no Seminário de Ustaritz, em Bayonne; no Seminário Maior, também em Bayonne; e na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, onde se formou em Teologia e fez doutorado em Direito Canônico.

Foi ordenado sacerdote em 1947 e incardinado na Diocese de Bayonne.

Em 1961, começou a trabalhar na Conferência Episcopal Francesa, da qual foi secretário-geral entre 1966 e 1970.

São Paulo VI o nomeou, em 1969, como Bispo titular de Gemelle de Numidia e Auxiliar da Arquidiocese de Paris.

Em 22 de dezembro de 1970, foi nomeado Arcebispo de Marselha e, em 1975, foi eleito presidente do Episcopado.

São João Paulo II o criou cardeal em 1979 e, em 8 de abril de 1984, foi nomeado presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz e presidente do Pontifício Conselho Cor Unum. Manteve o segundo cargo até 1995 e o primeiro até 1998, quando renunciou devido ao limite de idade.

Além disso, em outubro de 1992, participou da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Santo Domingo (República Dominicana).

Em 1994, foi eleito presidente do Comitê Central do Grande Jubileu do Ano 2000.

Em 1998, foi nomeado Bispo Cardeal da Igreja suburbicária de Porto-Santa Rufina.

O Cardeal Etchegaray foi com frequência "embaixador" de São João Paulo II em delicadas missões diplomáticas, como quando foi enviado para uma missão especial de paz em Jerusalém entre maio de 2002 ou em 2003, para tentar evitar a Segunda Guerra do Golfo. Do mesmo modo, foi o artífice da visita do Papa polonês a Cuba, em 1998.

Em 30 de abril de 2005, Bento XVI aprovou sua eleição como vice-decano do Colégio Cardenalício. O Papa Francisco aceitou seu pedido de dispensa em junho de 2017.

Fonte: ACIDigital