Notícia

Ordenação diaconal de futuro padre na igreja São Cristóvão de Erechim

Dom José ordenou diácono o seminarista Felipe Fioravante Filippini na igreja São Cristóvão de Erechim, às 19h30 desta sexta-feira, em missa concelebrada por 23 padres e participada por 4 diáconos, religiosas, seminaristas, fiéis da Paróquia local, da comunidade Cristo Rei, Lajeado Paca, da Catedral São José, onde a família do ordenado reside, e de Getúlio Vargas, onde ele trabalhará neste ano.

Foi a segunda ordenação diaconal nesta semana. Domingo passado foi ordenado Lucas André Stein, na comunidade de Rio Branco, Paróquia São Francisco de Assis de Mariano Moro.

Pe. Anderson Faenello, Pároco da Paróquia São Cristóvão, acolheu e apresentou os diversos participantes. Pe. Sala e equipe animaram os cantos.

Na homilia, Dom José refletiu a partir da passagem do Evangelho que narra o encontro dos discípulos de Emaús, da qual o novo diácono escolheu seu lema, “Jesus se aproximou e caminhou com eles”. Aqueles discípulos voltavam de Jerusalém para sua casa, amargurados e decepcionados depois da morte de Cristo que haviam seguido. Sem eles o reconhecerem, o próprio Jesus os alcançou e andou com eles, explicando-lhes o que era dito a seu respeito na Sagrada Escritura. Com a luz da Palavra de Deus, reconheceram que era ele próprio, o Bom Samaritano que lhes curou as feridas da decepção e lhes devolveu a alegria e a esperança. O bispo ressaltou que o seminarista Felipe seria ordenado diácono para servir aos irmãos e irmãs na Igreja comunidade de fé, como discípulo missionário de Cristo. Ele também destacou que Cristo continua a caminhar com todas as pessoas em sua peregrinação de fé, de modo especial quando passam por dificuldades, renovando-as em sua graça para prosseguirem até a casa do Pai. Concluiu sua mensagem ao povo exortando o jovem Felipe a cumprir generosamente a vontade de Cristo, a servir com alegria tanto a Deus como aos irmãos e irmãs e que, no silêncio de seu coração, peça diariamente a graça de conhecer os caminhos divinos.

Em seguida, Pe. Clair Favreto, reitor do Seminário Maior São José, pediu ao Bispo que ordenasse diácono o jovem Felipe, informando que estava devidamente preparado para tal ministério. Depois de interrogá-lo sobre suas disposições pessoais para a ordenação, Dom José convidou o povo a cantar a ladainha de todos os santos, impôs as mãos sobre o jovem e recitou a oração da Igreja para o momento. A família do jovem o revestiu com a estola e a túnica próprias do diácono e Dom José lhe entregou o livro dos Evangelhos, símbolo da missão de anunciar e viver a Boa Nova da Salvação.

No final da celebração, Dom José agradeceu a todos pela oração e ajuda financeira pelas vocações, ressaltando que Deus sempre acolhe o que se pede com fé. Recomendou que as famílias e as comunidades continuem a rezar com toda confiança por todas as vocações, especialmente as sacerdotais e religiosas.

O novo diácono também dirigiu sua mensagem aos presentes. Manifestou sua gratidão a Deus, fonte de todos os dons, à sua família, ao Bispo, aos padres, particularmente aos formadores, à comunidade em que nasceu e àquelas nas quais exerceu trabalhos pastorais. Recordou Dom Girônimo e o Pe. Luiz Warken que se encontram enfermos, pedindo a oração por eles.

Concluída a celebração, houve confraternização no salão paroquial com alimentos partilhados pelos participantes.

 

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Íntegra da homilia de Dom José

Ordenação Diaconal de Felipe Fioravante Filippini

Igreja São Cristóvão, Erechim, 08/02/2019

“Jesus se aproximou e caminhou com eles” (Lc 24,15)

Saúdo o Pe. Cleocir Bonetti, Vigário Geral da Diocese; o Pe. Maicon Malacarne, Coordenador de Pastoral; o Pe. Antonio Valentini, Chanceler da Cúria; o Pe. Clair Favreto, Diretor e formador do Seminário Maior São José; o Pe. Giovani Momo; promotor vocacional da nossa Diocese; o Pe. Alvise Follador, pároco da Paróquia Catedral São José, o Pe. Anderson Faenello, pároco desta Paróquia dedicada a São Cristóvão e através dele saúdo todos os sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e seminaristas presentes. Saúdo os ministros e ministras extraordinários da sagrada comunhão eucarística, as catequistas, as zeladoras de capelinhas, os que estão envolvidos nas pastorais e movimentos, os membros dos Conselhos, e também as autoridades civis e militares presentes ou representadas.

Com apreço e estima, saúdo os pais do seminarista Felipe Filippini, que será ordenado Diácono, o senhor Benjamim Ari Filippini e a senhora Ivanilde Ana Filippini, seu irmão Rodrigo, sua irmã Daiane e demais familiares. Saúdo os irmãos e irmãs da comunidade Cristo Rei do Lajeado Paca, pertencente à Paróquia Catedral São José, onde vive e participa a família Filippini. Saúdo com estima o povo de Deus da Paróquia São Cristóvão que nos acolhe, lembrando que aqui o Felipe fez seu estágio pastoral nos últimos anos. Saúdo o povo de Deus que veio da Paróquia Imaculada Conceição de Getúlio Vargas, onde o Felipe irá trabalhar, e também das várias comunidades da nossa Diocese, que estão aqui para agradecer a Deus pela tua vocação e o teu “sim”, Felipe.

Queridos irmãos e irmãs, o texto do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35) que ouvimos narra o encontro de Jesus com os discípulos de Emaús. Num primeiro momento, poderíamos imaginar que os dois discípulos foram privilegiados, pois a narrativa do encontro acontece depois da Páscoa, e eles retornavam de Jerusalém, portanto, deveriam estar caminhando e levando no coração o testemunho do amor de Jesus, a esperança marcada pela fidelidade do Mestre, mesmo diante da condenação à morte na cruz. Mas Jesus que se aproxima para andar com eles encontra dois homens que caminham desiludidos, tristes, decididos a deixar para trás a amargura de um projeto fracassado. Antes daquela Páscoa, estavam cheios de entusiasmo, convencidos de que aqueles dias seriam determinantes para as suas expectativas humanas e as do povo todo. Percorriam a estrada de retorno desiludidos, porque na hora decisiva, Jesus, ao invés de manifestar o seu poder, acabou pregado na cruz como um malfeitor qualquer.

Os dois discípulos prosseguiam pensativos e mergulhados na desilusão da experiência do fracasso; pareciam nem perceber que um desconhecido caminhava ao lado deles. Os olhos dos discípulos decepcionados não foram capazes de reconhecer o Mestre. Esperança e desilusão eram o que levavam no coração. A sensação do fracasso deixava vestígios na marca de seus pés no pó da estrada.

Não foi por acaso que Jesus se aproximou dos dois discípulos; não é por acaso que ele se aproxima da nossa vida, muitas vezes, nos momentos mais difíceis, e caminha conosco no silêncio, partilhando conosco as nossas desilusões, os nossos fracassos, a nossa dor, o nosso pranto. Ele permanece ao nosso lado mesmo quando temos a impressão de que o mundo nos abandonou. Ele está ali nos escutando, esperando uma oportunidade para revelar seu amor, sua solidariedade, sua ternura e compaixão através da sua presença silenciosa e consoladora.

Queridos irmãos e irmãs, para todos nós, a vida é marcada por tristezas e alegrias, derrotas e vitórias. No fundo, somos todos um pouco como os dois discípulos de Emaús. Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade e, no fim, ficamos desiludidos. Mas Jesus não nos abandona, caminha com todos nós, caminha ao lado das pessoas desanimadas e desiludidas que, cabisbaixas, como peregrinas, percorrem as estradas deste mundo rumo à casa do Pai. Caminhando com elas, de forma discreta, lhes restitui a esperança.

“Os discípulos de Emaús, ao longo do caminho, sem perceber, partilharam com Jesus suas esperanças e desilusões, e o Senhor os escutou em silêncio, e revelou-se no repartir o pão”. Reconhecer o Senhor é possível somente a quem percorreu o caminho dos problemas do ser humano, tornando-se plenamente participante da derrota, da solidão, da procura da justiça e da verdade, da coerência entre fé e vida para construirmos um mundo melhor; da caridade que nasce do amor serviço e nos abre os olhos do coração para ver o mundo e os irmãos com amor, compaixão e solidariedade.

Na mencionada situação, o Cristo, um homem, alcança os dois “feridos” naquela estrada. O bom Samaritano, Jesus em pessoa, se aproxima deles para “enfaixar suas feridas”. Eles estavam muito preocupados com aquilo que tinham perdido para poder ver aquilo que estava presente, ou quem estava caminhando com eles. Estavam muito habituados com o rosto daquele que tinham amado para descobri-lo no rosto do ressuscitado. Mas a conversa com este bom samaritano lhes fez arder o coração, que se encheu de recordações: “Não ardia o nosso coração quando ele nos explicava as Escrituras?” “Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram”. Naquele instante, compreenderam tudo: é ele! Jesus está com eles. O nosso Deus, não é um Deus ausente, ele passa, está “a caminho”, faz história com o seu povo, e nos convida a percorrermos um êxodo permanente para segui-lo.

Para seguir e servir o Senhor Jesus como discípulo, servindo o aos irmãos e irmãs na Igreja comunidade de fé, o seminarista Felipe Filippini será ordenado Diácono. Como diz São Paulo na carta aos Filipenses (Fl 2,5-11), Cristo Salvador quis aniquilar-se renunciando às suas prerrogativas divinas, tornando-se semelhante aos homens. Humilhou-se a si mesmo até a morte. Mas esta não foi o suficiente para fazer um Salvador. Aquilo que resgata a sua morte, isto é, aquilo que a transfigura, para ele e para nós, é o imenso amor com o qual ele doa a sua vida para nos libertar da violência e do ódio, para nos tornar disponíveis como Ele, a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar, de ter confiança, de crer em Deus, no homem e na mulher e no seu agir, mesmo se muitas vezes temos desilusões.

Querido filho, vive intensamente a tua vocação, dom de Deus, o teu ministério de Diácono, que não seja só um tempo de espera para a ordenação sacerdotal. Serás um ministro de Jesus Cristo, que se manifestou como servidor dos seus discípulos. Cumpre generosamente a sua vontade e, na caridade, serve com alegria tanto a Deus como aos irmãos e irmãs. No silêncio do teu coração, pede cotidianamente: “Faz-me conhecer, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas” (Sal 25).

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.