Voz da Diocese

A força e o conforto de Cristo na enfermidade
09/02/2020

São João Paulo II foi muito marcado pelo sofrimento. Aos 9 anos, ficou órfão de mãe. Aos 21, já não tinha o pai, nem o irmão e a irmã mais velhos. Aos 23, como seminarista, durante a guerra, trabalhando como operário, foi atropelado por um caminhão, sofrendo graves ferimentos na cabeça, com risco de morte. No dia 13 de maio de 1981, na Praça São Pedro no Vaticano, como Papa, foi atingido por um tiro que quase lhe tirou a vida.

Certamente, por essa experiência, teve muita sensibilidade com os enfermos e instituiu, em 1992, o Dia Mundial do Doente, a ser celebrado no dia 11 de fevereiro, festa de N. Sra. de Lurdes, cujo Santuário, na França, acolhe inúmeros peregrinos doentes em busca de cura.

Assim, nesta terça-feira, transcorre o 28º Dia Mundial do Doente. Na mensagem para ele, Papa Francisco, também muito carinhoso com os enfermos, fala da força de Cristo no sofrimento e da sacralidade e inviolabilidade da vida.

Ele desenvolve sua mensagem a partir da passagem do evangelho de São Mateus (11,28) na qual Cristo diz: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos”.

Para o Papa, essas “palavras indicam o caminho misterioso da graça, que se revela aos simples e revigora os cansados e exaustos. Tais palavras exprimem a solidariedade do Filho do Homem, Jesus Cristo, com a humanidade aflita e sofredora. Há tantas pessoas que sofrem no corpo e no espírito! A todas, convida a ir ter com Ele – «vinde a Mim» –, prometendo-lhes alívio e recuperação.”

Francisco assegura que neste Dia Mundial do Doente, Cristo renova este convite a todos os doentes e oprimidos, oferecendo-se a si próprio, sua pessoa, que dá alívio. A seus olhos, que penetram em profundidade cada pessoa em sua respectiva condição de saúde, ninguém é descartado. Convida a todos a fazer a experiência da ternura no encontro com Ele e sua vida.

O Papa observa que Cristo tem esses sentimentos porque Ele mesmo viveu a experiência do sofrimento humano e quem passa por ela pode ser conforto para os outros. Ele também constata que muitas vezes falta a dimensão humana em relação aos doentes. Por isso recomenda a todos a cultivarem a solicitude e o amor para com os enfermos e para com as famílias que com eles padecem. Recorda que a Igreja, neste sentido, quer ser sempre melhor a “hospedaria” do Divino Samaritano, Cristo, ou seja a casa onde os enfermos possam sentir a solicitude confortadora dele.

A mensagem papal tem uma palavra especial aos profissionais da saúde e às instituições de saúde e aos governos. Aos primeiros lembra que podem fazer sentir a presença confortadora de Cristo aos que prestam seus serviços e exorta a evitar qualquer ato de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem mesmo se for irreversível o estado da doença. Tanto a razão como a fé em Deus exige que a vida seja acolhida e preservada desde o início até a morte. Mesmo não podendo curar, proporcionem amparo e alívio ao doente. Às instituições de saúde e aos governos exorta não sobrepor o aspecto econômico ao da justiça social. E faz votos de que todos possam ter acesso a cuidados médicos adequados para salvaguardar e restabelecer a saúde.

A todos, feliz domingo e ótima semana.

Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano de Erexim.

- Pe. Antônio Valentini Neto