Voz da Diocese

A mais digna preparação para a solenidade de Cristo Rei
17/11/2019


Na Carta Apostólica de encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia de 2016, com data de 20 de novembro, em que ocorria a Solenidade de Cristo Rei do Universo, o Papa Francisco disse ter intuído que se deveria celebrar, em toda a Igreja, por ocasião do 33º domingo do tempo comum, o Dia Mundial dos Pobres, como mais um sinal daquele Ano Santo e a mais digna preparação para aquela solenidade, no domingo posterior.

Tal celebração ajudaria “a todas as comunidades e a cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa” (cf. Lc 16, 19-21).

Segundo Francisco, este Dia, também, é forma própria de verdadeira evangelização, que tem no socorro aos necessitados sinal de sua realização (Mt 11,5).

Neste ano, o Dia Mundial dos Pobres transcorre neste domingo.

O Papa este título para sua mensagem para este dia “a esperança dos pobres jamais se frustrará”, conforme o salmo 9, que descreve a condição deles e a arrogância de quem os oprime. Para o salmista, será restabelecida a esperança perdida por causa das injustiças, dos sofrimentos e da precariedade da vida.

Os pobres viviam situação de escravidão, espoliados por poucos privilegiados que os exploravam e alcançavam riqueza sempre maior, causando enormes desequilíbrios sociais.

Tal situação, segundo Francisco, se verifica também atualmente, como se a história nada tivesse ensinado. Também hoje, verificam-se diversas formas de escravidão a que são submetidos milhões de homens e mulheres, jovens e crianças. “Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo e marginalizadas que vagueiam pelas estradas das nossas cidades?”

O salmo os define como aqueles que confiam no Senhor, na certeza de que nunca serão abandonados pelo Senhor, que é descrito como aquele que escuta, intervém, protege, defende, resgata e salva, jamais como indiferente ou silencioso perante sua oração.

O Papa enfatiza que a opção pelos descartados da sociedade, é escolha prioritária a ser abraçada pelos discípulos de Cristo para que a credibilidade da Igreja não seja traída e se dê uma esperança concreta a tantos indefesos. O compromisso com eles não pode ser apenas de iniciativas de assistência, sempre louváveis, mas de permanente atenção plena devida a cada pessoa em dificuldade. Este compromisso duradouro assegura aos pobres a verdadeira esperança. Aquilo que eles precisam vai além da ajuda material que se possa oferecer-lhes. Eles “precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor...” Que nenhum deles se sinta “privado da proximidade e da solidariedade”.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

- Pe. Antônio Valentini Neto