Voz da Diocese

Compromisso com a vida e esperança na ressurreição
03/11/2019


Popularmente, novembro é considerado mês “das almas”, pela “comemoração de todos os fiéis defuntos”, dia 2, que vem, mais ou menos, desde o ano mil da era cristã, unida à solenidade de todos os santos.

Em novembro, ocorrem os últimos domingos do ano litúrgico e muitas vezes o primeiro de Advento, com o qual se inicia um novo ano litúrgico. Nos últimos domingos e nos dois primeiros de cada ano litúrgico, a liturgia aponta para as realidades últimas da vida humana, acentuando sua brevidade, a necessidade da vigilância e da preparação para a manifestação atual e final do Senhor, a importância de cada momento da existência, uma vez que nela se decide a eternidade, o julgamento final e outros aspectos escatológicos. É o tempo do aprofundamento dos chamados “novíssimos”, morte, juízo, ressurreição para a vida feliz com Deus (céu) ou para a vida infeliz sem ele (inferno).

É a fase litúrgica que acentua de modo especial não termos aqui morada permanente, mas caminharmos para a futura e definitiva. Porém, é aqui que nos preparamos para a futura, para ocupar o lugar que Cristo foi nos preparar, como Ele mesmo assegura (Jo 14,2-3).

Se esta morada definitiva está preparada antecipadamente, é necessário fazer por merecê-la. Inúmeras são as passagens bíblicas a lembrar da importância do presente em vista do futuro. “Lembra-te do teu fim e deixa de odiar, pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos” (Eclo 28,6-7). “ficai preparados”, exorta Cristo (Mt 24,43-44a).

A morte é uma realidade implacável para todos. Nascimento e morte são as pontas da existência de qualquer ser. Para todos chega o momento de partir deste mundo para o outro.

Porém, parece que se quer viver como se a morte não existisse ou como se ela acontecesse só para os outros. Atualmente, vive-se um paradoxo, uma contradição. De um lado, se aspira a viver mais tempo e com maior qualidade. Por outro, a espiral da violência cresce cada vez mais, destruindo vidas como se não tivessem nenhum valor. Protege-se animais e plantas em extinção, com grandes investimentos e leis rigorosas. Mas pouco ou nada se faz para impedir a morte de milhões de seres humanos desnutridos e se quer legalizar o aborto e a eutanásia. Investe-se em tecnologia, em armamentos, e pouco em assegurar condições de vida digna para todos. Daí a crise financeira mundial, a ambiental, a perda do sentido da vida.

O que podem nos propor a celebração do dia de finados, de todos os santos e o final e começo do ano litúrgico?

Certamente, retomar o compromisso em favor da vida; renovar a esperança, na feliz ressurreição; relembrar o que a fé nos assegura: vamos ressuscitar para a glorificação no céu ou para punição no inferno - dependerá de cada um; rezar com fé e confiança por todos os defuntos, dizendo fervorosamente: vida eterna dai-lhes Senhor, da luz perpétua o resplendor.

Por isso, é importante não ficar só no dia de finados, mas uni-lo com o de todos os santos que vem sempre próximo.  Se a comemoração de finados lembra a certeza implacável da morte, a de todos os santos, a ressurreição, a vida definitiva. Em Cristo, conciliamos a morte e a ressurreição. Nele, vivemos a comunhão dos que ainda peregrinam, dos que partiram e estão no tempo especial de purificação e dos que estão na glória divina.

Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano de Erexim.

 

- Pe. Antônio Valentini Neto