Voz da Diocese

Cristo, luz das nações e Maria, fulgente guia no mar da vida
02/02/2020

No dia 02 de fevereiro, 40 dias após o Natal, a liturgia celebra a festa da Apresentação do Senhor, com procissão e bênção de velas.

Esta festa tem origem no cumprimento de duas leis por parte de São José e de Nossa Senhora: a consagração dos primogênitos a Deus e o rito da purificação da mãe nos quarenta dias do parto. No Egito, na saída da escravidão, os primogênitos do povo hebreu, do povo da escravidão, haviam sido poupados da morte. Para lembrar esta especial graça, a lei de Moisés prescrevia que os primogênitos tanto dos animais quanto das pessoas fossem oferecidos a Deus.

José e Maria, segundo acentua o evangelho desta festa, cumprem rigorosamente a lei. Eles foram ao Templo. Podemos dizer, então, que esta é uma festa de José, Maria e Jesus. Poderíamos enaltecer a atitude de São José, justo e religioso, em cumprir as obrigações religiosas. Poderíamos destacar Maria, que, embora tivesse dado à luz em parto virginal, se submete ao rito da purificação. Consagra a Deus um ser que já é inteiramente de Deus e que é de natureza divina. Leva ao Templo aquele que viera purificar a humanidade de todo pecado. Apresentando seu Filho ao Pai, ela é a Mãe oferente, que completará sua oferenda ao pé da Cruz, acompanhando o Filho na sua entrega total ao Pai.

No Templo estavam dois idosos que acolheram o Menino apresentado por José e Maria, Simeão e Ana. O idoso Simeão tomou o Menino em seus braços e louvou a Deus que lhe permitira contemplar a salvação que havia preparado para todos os povos, luz para iluminar as nações e glória do povo da promessa. Ana, já com 84 anos, que não saia do Templo, dia e noite servindo a Deus, também se pôs a louvá-lo e a falar do menino a todos os que esperavam a realização da sua promessa de salvação.

Pelo fato de que Simeão reconheceu em Cristo a luz das nações, a festa passou a ser celebrada com procissão de velas. Por ela se proclama o que Ele mesmo assegurou, quem O segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida. Recorda-se também que todo batizado recebeu uma vela acesa, com a exortação de andar na luz de Cristo até a vida eterna, bem como o compromisso de irradiar a luz da fé que a vela simboliza.

Esta celebração litúrgica da apresentação foi logo vista como a festa da consagração religiosa a Deus. Os religiosos e religiosas, como Simeão e Ana, encarnam toda a esperança da humanidade de se encontrar com Deus. Como Jesus, primogênito de toda criatura, colocam-se nas mãos do Criador e Pai. Pelos conselhos evangélicos da castidade por causa do Reino, colocam-se por inteiro a serviço dele para serem, pela obediência, instrumento de sua vontade e, pela pobreza, viverem o desapego, a gratuidade, a doação plena a ele e aos irmãos e irmãs. Desde 1997, por instituição de São João Paulo II, nesta festa celebra-se o Dia da Vida Consagrada.

Popularmente, neste dia lembra-se também a Virgem Maria como N. Sra. das Candeias e como a Senhora dos Navegantes, a partir do título a ela atribuída de “Estrela do mar”. Seus devotos, os que usam embarcações em mares, lagos e rios, mas também todos que têm consciência de navegarem no grande mar da vida, a saúdam pelo canto: No mar da vida, fulgente guia, sois aos errantes, Ave Maria!

Que a Senhora dos Navegantes nos proteja das tempestades e perigos do “mar da vida” e nos ajude a percorrê-lo até chegarmos à casa do Pai.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

- Pe. Antônio Valentini Neto