Voz da Diocese

“Igreja em saída” na e para a Pan-Amazônia
26/10/2019

(A Voz da Diocese, 27/10/19)

“Igreja em saída” na e para a Pan-Amazônia

Estimados diocesanos!

Em reunião de Cardeais dia 09 de março de 2013, pouco antes de ser eleito Papa por eles, o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio disse: A igreja deve sair de si mesma, rumo às periferias existenciais. Uma igreja autorreferencial prende Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair. É a igreja mundana, que vive para si mesma.

Nessas palavras está implícita a expressão de como ele gostaria que a Igreja fosse: “em saída”, como um “hospital de campanha” que presta os primeiros socorros a feridos. Na exortação apostólica “A Alegria do Evangelho” (49), ele ratificou: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças.”

Ele próprio se coloca em saída desde o início do Pontificado. Em julho de 2013, 4 meses após sua eleição, foi à Ilha de Lampedusa, no sul da Itália, ponto de passagem dos migrantes e refugiados, especialmente da África, em sua fuga das guerras, da fome, da perseguição por motivo de religião em busca de lugar para sobreviver. Muitos morrem afogados antes de chegar à Ilha, rumo à Europa. Na homilia da missa que lá presidiu, denunciou enfaticamente a indiferença do mundo em relação aos excluídos e marginalizados e exortou a Igreja a sair em seu socorro.

A convocação e realização da Assembleia do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, a ser encerrada neste domingo, pode ser vista nesta perspectiva. É necessário que a Igreja nos 9 países daquela região esteja realmente em saída e é necessário que a Igreja nos outros países do mundo se volte para ela.

Mas a Igreja em saída na e para a Amazônia deve ter uma atitude de muito respeito, recomendada pelo próprio Papa na saudação aos participantes da Assembleia sinodal, no dia 07 passado: aproximemo-nos dos povos amazônicos em ponta de pés, respeitando a sua história, as suas culturas, o seu estilo do bom viver no sentido etimológico da palavra, não no sentido social que muitas vezes lhe atribuímos, porque os povos têm a própria identidade, todos os povos têm a própria sabedoria, uma consciência de si mesmos, os povos têm um modo de sentir, um modo de ver a realidade, uma história, uma hermenêutica e tendem a ser protagonistas da sua história com estas características, com estas qualidades. E aproximemo-nos alheios às colonizações ideológicas que destroem ou reduzem as especificidades dos povos.

Na homilia da missa de abertura da referida Assembleia, no dia 06, na Basílica São Pedro, depois de convidar a todos a olhar para Jesus Crucificado, para seu coração aberto por nós, diante do qual somos chamados a dar a vida, lembrou que muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Muitos irmãos e irmãs gastaram a sua vida na Amazónia. Permiti que repita as palavras do nosso amado Cardeal Hummes: quando fores àquelas pequenas cidades da Amazónia, vai aos cemitérios procurar o túmulo dos missionários. .... Merecem ser canonizados. Por eles, pelos que agora estão a dar a vida, pelos outros que lá gastaram a própria vida, com eles, caminhemos juntos.

Caminhemos juntos, como Igreja em saída naquela região e Igreja em outras regiões em saída para ela.

A todos, desejo um ótimo domingo e excelente semana.

Pe. Antonio Valentini Neto

Administrador Diocesano de Erexim.

- Dom Frei José Gislon