Voz da Diocese

Na festa do Batismo de Jesus, confirmar os compromissos do nosso batismo
12/01/2020

Ocorre neste domingo a festa do Batismo de Jesus, conclusão do tempo natalino.

Entrando na fila dos que acolhiam com sinceridade a pregação de João Batista, Jesus, o Servo de Javé que veio cumprir a missão de realizar a justiça, promover a misericórdia e o direito entre as nações,  se apresentou a ele para ser batizado. João Batista tentou argumentar que ele devia ser batizado por Jesus e não o contrário. Mas Jesus lhe respondeu que era necessário cumprir toda justiça. E João concordou.

Naquele batismo, deu-se uma nova epifania, nova manifestação do mistério de Cristo: sobre Ele pousou o Espírito em forma de pomba e o Pai o declarou solenemente seu Filho amado no qual coloca todo seu agrado.

A partir daquele momento, Jesus deixa seu trabalho na carpintaria de Nazaré e inicia sua missão de anunciar a Boa Nova, ensinando a todos, “pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidades do povo” (Mt 4,23). “Ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder, andou por toda parte fazendo o bem” (At 10,38).

Esta festa do batismo do Senhor nos remete ao nosso batismo. que nos fez renascer para a vida nova em Cristo e membros da comunidade dos seus seguidores, nos comprometeu com o seu projeto de amor, com o seu reino “da verdade e da vida, da santidade e da graça, reino de justiça, do amor e da paz” (prefácio de Cristo Rei). Pelo batismo, morremos com Cristo ao pecado, devendo viver a sua missão, irradiar e contagiar a todos com o amor indizível de Deus nosso Pai, amando como Ele nos amou. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (nº 1213), “O santo Batismo é fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos demais Sacramentos”.

Assim como precisamos alimentar a vida do corpo, necessitamos cultivar a vida da fé, sem cairmos no dualismo que vê corpo e alma isoladamente. Crescemos na fé trabalhando por ela, pedindo a Deus, como os apóstolos a Cristo, que aumente a nossa fé, cultivando a leitura orante da Palavra de Deus, participando da celebração litúrgica da comunidade, praticando a justiça, testemunhando a verdade.

Se a fé é condição para o Batismo, a vida na fé é igualmente consequência dele. A fé recebida não é tanto um dom a ser conservado, mas a ser cultivado. Também segundo o Catecismo (1253 ) “a fé que se requer para o Batismo não é uma fé perfeita e madura, mas um começo que é chamado a desenvolver-se”.

Incorporado à Igreja, o batizado assume a missão da própria Igreja, que é a missão de Cristo. Deve, pois, realizar a proclamação e o testemunho do Evangelho, o culto em espírito e verdade e pôr-se a serviço de todos, a exemplo de Cristo que veio para “servir e não para ser servido” (Mc 10,45). Vivendo a missão da Igreja, o batizado trabalhará para a construção de uma sociedade justa e solidária, a caminho do Reino definitivo.

Aos pais dos batizados cabe missão fundamental, imprescindível e intransferível na educação da fé deles. A eles, que segundo o ritual do Batismo, pedem à Igreja a fé para os filhos, cabe transmiti-la. E esta missão se dá, conforme o Papa Francisco, em casa, pois deve “ser sempre transmitida ‘em dialeto’, o dialeto da família, o dialeto da casa, no clima de casa” (homilia na festa do Batismo do Senhor de 2019). Francisco ressalta que o devem fazer com o exemplo, com a sua vida de fé, possibilitando-lhes ver o amor dos cônjuges, a paz da casa, a presença de Jesus nela.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

- PE. ANTÔNIO VALENTINI NETO