Voz da Diocese

Natal, festa e caminho da Paz
22/12/2019

O Papa Pio XII, Pontífice foi 1939 a 1958, se valia, com firmeza e frequência, do princípio de que “a paz é fruto da justiça, conforme o profeta Isaías (32, 17), e da caridade”. A Campanha da Fraternidade de 2009, sobre a segurança pública, tinha como lema, justamente “a paz é fruto da justiça”. Lembrou que nossa segurança vem de Deus, que nos envia seu Filho, Príncipe da paz para congregar a todos no amor, na verdade, na justiça. Enfrentou a perseguição, a agressão, a tortura pela força da não violência, no perdão e na misericórdia.

Em Cristo e agindo como ele agiu, podemos romper a rede de ódio e de vingança, pagando o mal com o bem, perdoando sem limites. Nele podemos construir uma sociedade justa e solidária, estabelecer uma cultura de paz.

Porque no Natal celebramos o nascimento de Cristo, Príncipe da Paz, podemos dizer que ele é festa da paz e ao mesmo tempo caminho para construí-la. Ele é o Sol da Justiça, nossa Paz.

Em Belém, após o anjo ter anunciado aos pastores a boa nova do nascimento do Salvador, o Cristo Senhor, motivo de alegria para todo o povo, um coro de anjos proclamou: glória a Deus nas alturas e paz na terra às pessoas por ele amadas.

O anúncio angélico deixa claro que a paz é dom de Deus. Não é fruto apenas de iniciativas humanas, mas não existe sem o empenho de todos. Ela é dom divino e conquista humana, fruto da justiça, da verdade, do perdão, da fraternidade, da solidariedade, de uma educação permanente para a convivência harmônica, numa cultura de paz.

Isto só ocorrerá se não se ficar apenas na divina criança, mas se acolher o projeto de vida abundante para todos que ela traz. Celebramos o nascimento deste Menino já sabendo o que Ele anunciou e realizou. Garantiu-nos a paz, mas não como o mundo a dá. Na ressurreição, transmitiu a paz, com o poder de eliminar o que em nós a impede: o pecado. Cristo é nossa paz e nos indica o caminho para construí-la.

Desde 1964, os Papas na mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro apontam alguns requisitos para alcançá-la: eficaz desmilitarização do mundo, com o diálogo entre as nações, para gestão sustentável dos recursos do planeta; preservação da família, cuidado com a natureza, “casa comum” da humanidade, com o consenso entre os povos sobre um modelo de progresso sustentável que não comprometa os recursos do planeta e suas fontes de energia; promoção de uma economia que não siga apenas as duras leis do lucro imediato, mas também, em primeiro lugar, os princípios morais, num código ético comum, para superar as injustiças existentes no mundo e as violações dos direitos humanos delas decorrentes; combate à pobreza, canalizando os investimentos em armamentos para projetos de desenvolvimento e resolver a crise alimentar, fruto da especulação mercantilista dos alimentos. Desta forma, é insensato construir um palácio dourado, tendo ao seu redor o deserto e a degradação humana.

Que a ternura e a força do Menino do Presépio, que se fez pobre para nos enriquecer, confirmem todas as iniciativas em favor da paz. A todos e a cada um, de coração, votos de frutuosa celebração natalina, com graças e bênçãos extensivas a todo novo ano.

Erexim, 19 de dezembro de 2019.

 

Pe. Antonio Valentini Neto, Administrador Diocesano.

 

 

 

- PE. ANTÔNIO VALENTINI NETO