Voz da Diocese

O olhar do cuidado do Papa para a querida Amazônia
16/02/2020

Em relação aos elementos da realidade, às pessoas, à história, há olhares diversos. Há quem olhe e faça de conta que não viu e passa adiante como o sacerdote e o levita da parábola do bom samaritano. Outros olham e param para cuidar, como justamente o samaritano daquela parábola de Cristo, o divino samaritano. Diante das emergências sociais e climáticas, há quem tem olhar de indiferença e de exclusão e há quem tem olhar de misericórdia e compaixão, com atitudes concretas de cuidado.

Sobre a Amazônia, há o olhar da cobiça que a vê como riqueza abundante a ser explorada de qualquer maneira. Em contraposição, há também o olhar da sensibilidade que a vê como reserva ecológica vital para a humanidade, com povos de tradições e cultura milenares a serem preservados.

Com olhar pastoral, a Igreja Católica está presente na Amazônia há 500 anos e desde 1954, os bispos da parte brasileira daquela região se reúnem periodicamente buscando os melhores caminhos para a evangelização dos povos que nela vivem. Em 1972, o Papa Paulo VI, incentivou os Bispos da região, por ocasião de uma reunião histórica, com a profética indicação “Cristo aponta para a Amazônia”. Papa Francisco, com seu olhar paternal e profundamente amplo, convocou e presidiu uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos para aquela região a fim de buscar “novos caminhos para a Igreja e a para uma ecologia integral”, em outubro passado. Autorizou a publicação do texto final da mesma e agora, quarta-feira, divulgou a sua exortação apostólica a partir daquela assembleia, intitulada sugestivamente “Querida Amazônia”.  Como outros documentos, seu título são as primeiras palavras da frase inicial: A Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério.”

Francisco não cita o texto final mencionado, mas o apresenta oficialmente e recomenda sua leitura integral, porque, diz ele, “oferece as conclusões do Sínodo no qual colaboraram muitas pessoas que conhecem melhor do que eu e do que a Cúria Romana a problemática da Amazônia, porque vivem lá, por ela sofrem e a amam apaixonadamente".

O texto final tem cinco capítulos, além da apresentação e da conclusão, assim intitulados: Amazônia: da escuta à conversão integral; Novas estradas de conversão pastoral; Novas estradas de conversão cultural; Novas estradas de conversão ecológica; Novas estradas de conversão sinodal.

O documento do Papa tem quatro capítulos, designados por ele de sonhos, que repercutem os do texto final, embora, como ele afirma, não o cite.

Estes sonhos são: social, luta pelos direitos e dignidade dos povos amazônicos marginalizados e oprimidos; cultural, preservação da riqueza cultural; ecológico, proteção da beleza natural dos rios e florestas; eclesial, comunidades cristãs encarnadas na Amazônia que deem à Igreja rostos novos.

Em primeiro lugar, vem o sonho social, porque por primeiro estão as pessoas, os pobres, machucados, esquecidos, abandonados, marginalizados.

O sonho cultural contempla as culturas dos povos da região, mas também a biodiversidade e todo o ambiente.

O sonho ecológico faz lembrar o que o Papa abordou na Laudato Si. Ressalta que esse sonho é feito de água, elemento fundamental na questão ecológica.

No sonho eclesial, Francisco ressalta que não é uma Organização não governamental que fala, mas a Igreja que reflete sobre a sua missão, o seu trabalho, a sua necessidade de ser capaz de novos caminhos para sua própria missão.

Erechim, 16 de fevereiro de 2020.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano.

- Pe. Antônio Valentini Neto