Voz da Diocese

Paz, bem precioso e esperança da humanidade
29/12/2019


A mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial da Paz, quarta-feira, início do novo ano, tem por título: A Paz como Caminho de Esperança: Diálogo, Reconciliação e Conversão Ecológica.

Inicia dizendo que a paz é um bem precioso, objeto da nossa esperança, pela qual aspira toda a humanidade, mesmo quando os obstáculos parecem insuperáveis. Observa também que a humanidade tem bem presente sinais de guerras, com crescente capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Nações inteiras não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção, alimentadoras de ódios e violências. A muitos homens e mulheres, crianças e idosos, se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade – incluindo a liberdade religiosa –, a solidariedade comunitária, a esperança no futuro. Inúmeras vítimas inocentes carregam sobre si o tormento da humilhação e da exclusão, do luto e da injustiça, bem como os traumas resultantes da opressão sistemática contra o seu povo.

Na mensagem, o Papa aborda estes aspectos: a paz, caminho de escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade; a paz, caminho de reconciliação na comunhão fraterna; a paz, caminho de conversão ecológica.

Papa Francisco lembra as consequências terríveis de situações de guerra em diversos países e de países entre si. Observa que toda guerra se revela um fratricídio, destruidor do projeto de fraternidade, inscrito no coração da família humana. Para ele, a guerra nasce no coração das pessoas, pela falta de capacidade de aceitar a diversidade do outro, pelo egoísmo e pelo orgulho, pelo ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro e a eliminá-lo. Mesmo assim, há esperança de se alcançar a verdadeira paz, possível na busca da fraternidade real, baseada na origem comum em Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do ser humano e não devemos resignar-nos sem realizá-lo.

Ele lembra que os sobreviventes dos bombardeios atômicos de Hiroxima e Nagasaqui, no Japão, em agosto de 1945, testemunham às gerações futuras o horror daquele lamentável episódio e os sofrimentos indescritíveis que se prolongam na história. Como eles, muitos outros, em o mundo, oferecem às gerações futuras o serviço indispensável da memória, que deve ser preservada, não só para evitar os mesmos erros, mas também para ajudar a humanidade a tomar autênticas opções de paz, possíveis somente com apelo à consciência moral, à vontade pessoal e política e com a prática da escuta mútua. Neste aspecto, o Papa lembra que a Igreja faz constantemente memória de Cristo, que deu sua vida pela reconciliação de todos. Ela participa plenamente na busca duma ordem justa, continuando a servir o bem comum e a alimentar a esperança da paz, pela transmissão dos valores cristãos, do ensinamento moral e das obras sociais e educacionais. A Igreja, insiste o Papa, anuncia a infinita misericórdia de Deus que oferece seu perdão a todos, que abre caminho para a reconciliação com Ele e das pessoas entre si, bem como pistas para um sistema econômico mais justo.

Francisco inclui em sua mensagem um apelo em favor de uma relação pacífica entre as comunidades e a terra, entre o presente e a memória, entre as experiências e as esperanças, para o cuidado com a casa comum. Insiste na necessidade acreditar na possibilidade da paz, de crer que o outro tem a mesma necessidade de paz que nós; que a cultura do encontro entre irmãos e irmãs rompe com a cultura da ameaça. Para os discípulos de Cristo, há ainda o sacramento da reconciliação, que renova as pessoas e as comunidades. Convida a manter o olhar fixo em Jesus, que reconciliou “todas as coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz tanto as da terra quanto as do céu” (Col 1, 20); e pede para depor toda a violência nos pensamentos, nas palavras e nas obras quer para com o próximo quer para com a criação.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

 

- PE. ANTÔNIO VALENTINI NETO