Voz da Diocese

Perceber e seguir os sinais de Deus
05/01/2020


A comunicação humana se dá por palavras, gestos e sinais, de forma presencial, que permite ver a expressão do rosto, o olhar, tocar, sentir e abraçar, e de forma virtual, sem esses aspectos, tão humanos e imprescindíveis.

As ruas, avenidas e praças das cidades, bem como as mais diversas estradas que as interligam são marcadas por muitos sinais. Sinais de caráter religioso, cultural e cívico. Sinais de trânsito. O desrespeito ou a violação destes sinais ou outros tem consequências profundas e graves. Grupos humanos se sentem agredidos em algo fundamental de sua vida. O desrespeito aos sinais de trânsito resulta, muitas vezes, em mutilações permanentes ou em mortes.

Deus, amor eterno que por natureza se comunica, vale-se também de palavras e sinais para entrar em contato com o ser humano. Na culminância de sua  revelação, enviou seu próprio Filho, nascido da Virgem Marias por obra  do Espírito Santo, para restabelecer a comunhão das pessoas com Ele e delas entre si.

Pelos anjos, comunicou aos pastores de Belém que havia nascido o salvador, motivo de alegria para todo o povo e lhes deu como sinal uma criança envolta em faixas, deitada num comedouro de animais. Aos sábios do Oriente, comumente chmados de reis magos, deu o sinal da estrela.

Tanto uns quanto outros, puseram-se logo a caminho. Os pastores encontraram tudo como lhes havia sido anunciado e voltaram louvando a Deus por tudo o que haviam visto. Os magos ao chegar ao Menino, prostraram-se, o adoraram e lhe ofereceram seus presentes, voltando por outro caminho, sem retornarem a Herodes que lhes pedira para lhe levar informações a respeito do mesmo.

Deus continua a se manifestar a todas as pessoas por palavras e sinais. Cabe a cada uma ouvir e perceber a comunicação dele e realizar o que Ele comunica. O salmista exorta a não fechar o coração como os israelitas no deserto a caminho da Terra Prometida. São Paulo faz severa advertência, não receber em vão a graça divina, mas viver intensamente cada momento da sua benevolência. O próprio Cristo questionou os que o acompanhavam em certa ocasião, alertando-os de que sabiam discernir os sinais do tempo, quando vem chuva ou não, mas não estavam atentos aos sinais do Reino. Aos que pediam sinais sem a disposição interior de acolher sua Palavra, Ele não os realizava. Aos discípulos de João Batista, quando preso, que os mandou perguntar-lhe se era ele o Messias esperado ou se deviam esperar por outro, respondeu dizendo que lhe contassem o que viam e ouviam, os cegos enxergando, os mudos falando, os aleijados andando e os pobres sendo evangelizados. São João, no início do seu evangelho, enfatiza que o Filho de Deus veio para os seus, mas eles não o receberam.

Os doutores da Lei conheciam bem as Escrituras e souberam informar a Herodes onde nasceria o rei dos judeus que os magos procuravam, mas não se colocaram a caminho dele. Corremos o mesmo risco de saber verdades da fé, mas não vivê-las. De perceber que a família passa por muitas ameaças e nada fazer por defendê-la e promovê-la. De ver inúmeras pessoas sem condições dignas de vida e nada fazer por elas, criticando quem defende seus direitos. Podemos sentir as consequências da exploração predatória da natureza, mas não combatermos suas causas e até julgar mal os que se preocupam com a preservação desta Casa Comum.

Os pastores e os magos indicam bem como acolher e seguir os sinais de Deus. Resta aprender a fazer o mesmo.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.

- PE. ANTÔNIO VALENTINI NETO