Voz da Diocese

Um caminho a percorrer
20/01/2019

Estimados Diocesanos! Os resultados das urnas das últimas eleições revelaram uma forte vontade popular por mudança. E respeitando o resultado das urnas, iniciamos um novo ano com novos governantes, na esfera federal e em muitos Estados da Federação. Percebe-se no meio empresarial e produtivo uma grande expectativa em relação às políticas públicas que favoreçam o crescimento no campo econômico, atraiam novos investimentos, aumentem a oferta de empregos e favoreçam o desenvolvimento sustentável a curto, médio e a longo prazo.

Mas, ao mesmo tempo, percebemos muita apreensão e incertezas sobre os resultados que teremos no campo social, no que diz respeito à dignidade de vida de uma grande parcela da nossa população brasileira. São milhares as pessoas em nosso País que dependem dos programas sociais das políticas públicas, para terem o básico para sobreviver. Em toda parte, percebe-se as angústias geradas pelo desemprego de milhões de pessoas, que tocaram a realidade da vida pessoal, familiar e comunitária nos últimos anos.

É grande a esperança depositada nos novos governantes que apenas iniciaram o mandato! Creio que o sonho de todo governante é deixar um legado positivo de seu governo, no País, no Estado ou no Município. Nem sempre é fácil, porque estamos ligados a uma conjuntura internacional, na qual os interesses de alguns grupos, muitas vezes, para não dizer quase sempre, se sobrepõem às necessidades da maioria da população.

O bem estar social, fruto de um desenvolvimento econômico que distribua renda, pelo trabalho, em todas as camadas da população, é uma meta a ser alcançada e ao mesmo tempo um caminho a ser percorrido por todos nós. Podemos ser tentados a esperar um estado paternalista, que providencia tudo, esquecendo que não existe, no campo do desenvolvimento como em outros, uma mudança duradoura que traga benefícios para todos, sem a participação ativa e responsável pelo trabalho, com oportunidades na educação, o direito à saúde, a moradia, a ética na administração pública e uma justiça que trate a todos como iguais perante a lei. Sem essa mudança de mentalidade, vamos ser sempre o país do futuro, com tantas e aberrantes desigualdades sociais no presente. Ou um país rico, com muitos recursos naturais e uma grande parcela da população pobre. Que a nossa esperança não seja decepcionada.

Tende todos um bom domingo.

+ Dom José Gislon, OFMCap. - Bispo Diocesano de Erexim.

- Dom Frei José Gislon